Policiais invadem igreja na China e proíbem louvores a “Jesus”, “Deus” e “Senhor”

A operação ocorreu durante dois dias, e os cristãos foram ordenados a substituir os louvores por canções que exaltassem o Partido Comunista Chinês.

Fonte: Guiame, com informações de ChinaAidAtualizado: quinta-feira, 24 de setembro de 2026 às 20:21
A operação na igreja chinesa. (Foto: Reprodução/ChinaAid)
A operação na igreja chinesa. (Foto: Reprodução/ChinaAid)

Autoridades chinesas invadiram uma igreja doméstica no centro do país e proibiram cristãos de cantar músicas que mencionassem “Jesus”, “Deus” ou “Senhor”. Eles também foram ordenados a substituir os louvores por canções que elogiassem o Partido Comunista Chinês.

A operação aconteceu nos dias 16 e 17 de setembro, no condado de Jinzhai, na província de Anhui. Segundo a ChinaAid, policiais e autoridades locais revistaram o local onde os cristãos se reuniam e confiscaram os celulares dos fiéis.

No dia 16, cerca de 30 policiais e autoridades locais participaram da operação liderada por Wang Xianjie, chefe da delegacia de polícia de Youfangdian. Alguns cristãos tiveram os movimentos limitados e outros chegaram a ser impedidos de usar o banheiro.

Duas pregadoras foram levadas à delegacia para interrogatório. Uma delas, Zhang Yuanfeng, permaneceu confinada em casa por quatro dias, até 20 de setembro.

“Uma das mulheres sofreu uma lesão na mão enquanto era transportada para a delegacia”, disse uma fonte ao ChinaAid.

Durante o interrogatório, as autoridades também fizeram perguntas sobre dois parentes das pregadoras: os pastores Zhang Yuanlai, que atua em Nova Jersey, nos Estados Unidos, e Zhang Huijun, que já serviu em Jinzhai, Guangzhou e outras regiões.

Na ocasião, os militares perguntaram repetidamente sobre as atividades de Zhang Yuanlai nos Estados Unidos e pediram informações de contato dele.

Segundo dia de operação 

Já no dia 17 de setembro, uma nova operação foi realizada no local. Foi quando os agentes encontraram os jovens ensaiando para futuros cultos e os proibiram de tocar ou cantar músicas que mencionassem “Jesus”, “Deus” ou “Senhor”.

Segundo as fontes, as autoridades disseram que a ordem de proibir os louvores partiu de uma “Equipe Central de Inspeção” e que o objetivo era interromper as atividades das igrejas domésticas da região.

Um funcionário também teria ameaçado colocar os pregadores envolvidos sob vigilância diária.

“Quando autoridades governamentais começam a decidir quem os cristãos podem adorar e o que podem cantar, a chamada 'chinesificação da religião' já se tornou uma ferramenta política para forçar as igrejas a se submeterem à ideologia do Partido Comunista”, disse o Dr. Bob Fu, fundador da ChinaAid.

Pressão sobre os cristãos

A ação faz parte de um cenário mais amplo de controle sobre igrejas não registradas na China. Nos últimos anos, sob a liderança de Xi Jinping, o governo chinês tem aumentado as restrições sobre atividades religiosas e buscado alinhar as religiões aos valores e à ideologia do Partido Comunista.

A ChinaAid afirma que as medidas fazem parte da chamada “Chinaficção da religião”, política que busca adaptar as práticas religiosas à ideologia do governo chinês.

A região de Jinzhai tem uma história de mais de quatro décadas de atuação de igrejas cristãs independentes. O trabalho começou com o pregador Zhang Yongsheng, que passou a evangelizar comunidades nas montanhas depois de se tornar cristão em 1981.

Conhecido pelos cristãos locais como o “Paulo das Montanhas Dabie”, Zhang teria criado centenas de locais de reunião clandestinos. Ele morreu em um acidente de trânsito em 2014, mas seus cinco filhos continuaram envolvidos no ministério.

Quatro filhas deram continuidade ao trabalho na China, enquanto um filho passou a pastorear nos Estados Unidos.

Cristãos da região também já enfrentaram outras repressões das autoridades. Segundo a ChinaAid, uma reunião foi invadida em 1993. Na ocasião, um cristão morreu enquanto tentava proteger outros fiéis, e outro ficou permanentemente cego depois de ser esfaqueado.

Além disso, as autoridades expulsaram alguns alunos da escola ou os puniram publicamente por causa de sua fé.

Diante do aumento das restrições às igrejas não registradas na China, a ChinaAid pediu às autoridades que parem de perseguir e vigiar cristãos e suas famílias.

A organização também pediu uma investigação sobre possíveis casos de violência cometidos pelas forças de segurança e que o direito à liberdade religiosa garantida pela Constituição da China seja respeitado.

Até a publicação da reportagem da ChinaAid, o governo do condado de Jinzhai e a delegacia de Youfangdian não haviam se pronunciado sobre a operação.

 

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