Pastores afegãos foram ao governo registrar sua fé, em ‘sacrifício’ às gerações futuras

Desde a tomada pelo Talibã, a vida para a igreja afegã está em um novo capítulo.

Fonte: Guiame, com informações do Gospel CoalitionAtualizado: quarta-feira, 18 de agosto de 2021 13:11
(Foto: Xinhua News Agency/Getty Images)
(Foto: Xinhua News Agency/Getty Images)

No início de julho, com a retirada dos militares americanos do Afeganistão, ​​os pastores e líderes cristãos no país tomaram uma decisão difícil. Eles decidiram registrar formalmente sua fé com o governo afegão — mesmo sendo uma república islâmica, na qual a conversão ao cristianismo tem duras consequências.

“Contra o conselho de muitos, esses líderes da igreja afegã se sentiram impulsionados, pelo bem das gerações futuras, a declarar legalmente sua verdadeira fé em Cristo”, reportou o pastor Mark Morris ao site The Gospel Coalition na segunda-feira (16).

“E quanto aos nossos filhos e netos?”, questionaram. “Alguém deve fazer esse sacrifício para que as próximas gerações possam se chamar abertamente de seguidores de Jesus”, responderam os líderes afegãos. 

Morris reporta que enquanto os pastores e líderes se registraram no governo, “todos nós oramos de fora, pedindo a Deus que os protegesse de serem detidos e presos na manhã seguinte. Eles foram entrevistados, mas não presos”.

Morris é diretor de estudos teológicos urbanos da Union University (EUA) e lidera um ministério que evangeliza refugiados na cidade de Memphis, no sudoeste do Tennessee. Ele conta que, no fim de semana passado, esteve em um retiro de uma igreja afegã e inglesa. 

“Na primeira noite do retiro, soubemos que um pastor no Afeganistão recebeu uma carta do Talibã: ‘Nós sabemos quem você é, o que faz e onde te encontrar’. No sábado, o Talibã estava à sua porta, mas ele havia se escondido. Glória a Deus”, disse.

Morris conta também que ouviu um pastor afegão, em lágrimas, falar sobre seu amigo — um cuja aldeia foi tomada pelo Talibã três dias antes. “A filha de 14 anos desse querido irmão foi arrancada de seus braços e forçada à escravidão sexual, no que o Talibã chamaria de ‘casamento’ e seu ‘dever e privilégio islâmico’”, relata.

Quando chegou a notícia no sábado (15) de que o Talibã já estava andando pelas ruas de Cabul, a igreja chorou e orou por seus irmãos afegãos, enquanto se esforçava para fazer ligações para parentes que tentavam ir para um local seguro. “Ninguém conseguiu sair. As estradas e os voos já haviam fechado”, conta Morris.

Castelo Forte é o Nosso Deus

No domingo de manhã, enquanto os cristãos afegãos se reuniam como Igreja, eles foram encorajados pela Palavra de Deus: “Em Romanos 10, todos fomos lembrados de que devemos edificar nossa fé em Jesus, a única pedra angular que pode resistir à tempestade do Talibã.”

Ele continua: “Nosso líder de louvor escolheu o hino ‘Castelo Forte’. Enquanto cantávamos o verso final, um irmão afegão veio e sussurrou em meu ouvido: ‘Ashraf Ghani, o presidente do Afeganistão, acabou de renunciar. O Talibã agora está no controle’. E nós cantamos: ‘Se temos de perder, família, bens, poder. E, embora a vida vá, por nós Jesus está. E nos dará seu reino’”.

Na manhã de segunda-feira (16), em meio às lágrimas, Morris lembra que se sentiu grato pela forma como Deus planejou o fim de semana. “Com um só coração nos reunimos para consolar uns aos outros, orar juntos, gemer e chorar juntos nestes momentos históricos difíceis”, conta.

Desde este fim de semana, mais relatórios perturbadores estão chegando e a vida para a igreja afegã está no início de um novo capítulo. “Jovens cristãs estão sendo perseguidas pelo Talibã. O Talibã acaba de invadir a casa de outro líder da igreja e confiscar suas Bíblias e publicações”, reporta Mottis.

Em Memphis, um pastor afegão escreveu: “Não tenho palavras para orar agora”. No entanto, ele ainda continua pregando para o Afeganistão através de transmissões ao vivo. “O oleiro está construindo seus vasos para seus propósitos”, observa Morris.

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