Pastor tem 9 familiares assassinados após denunciar genocídio de cristãos na Nigéria

Os familiares do pastor Ezekiel Dachomo foram mortos por extremistas Fulani no estado de Plateau.

Fonte: Guiame, com informações de Truth NigeriaAtualizado: quinta-feira, 16 de julho de 2026 às 17:38
O Reverendo Ezekiel Dachomo. (Foto: Reprodução/Instagram/The Daily Times of Nigeria)
O Reverendo Ezekiel Dachomo. (Foto: Reprodução/Instagram/The Daily Times of Nigeria)

O pastor nigeriano Ezekiel Dachomo, conhecido por denunciar a perseguição contra cristãos na Nigéria, teve nove familiares assassinados em um ataque promovido por extremistas Fulani no estado de Plateau. 

Segundo sobreviventes, os criminosos invadiram a casa procurando pelo pastor antes de executarem as vítimas, incluindo um bebê de apenas dois meses. 

Após o massacre, Dachomo afirmou que acredita que seus familiares foram mortos por causa de sua atuação em defesa dos cristãos perseguidos. 

"Não posso fugir e abandonar meu povo quando sei que sou o motivo pelo qual eles foram mortos", declarou ao portal Truth Nigeria. 

O ataque 

O ataque aconteceu na madrugada do último sábado (11), na aldeia de Kum. Na ocasião, os extremistas chegaram armados e perguntaram pelo "Dara" — que significa “pai” em berom — e, antes de atirarem, disseram: "Hoje vocês aprenderão uma dura lição" 

Nove pessoas foram mortas, entre elas um bebê de dois meses. O funeral coletivo ocorreu na última segunda-feira (13). Durante a cerimônia, o pastor declarou: 

“Foi aqui que cresci com a minha avó. E sei que as pessoas que cometeram este ato sabiam que tenho uma ligação com esta família. O homem cuja casa foi atacada é meu sobrinho”.

“Esta não é a primeira vez que atacam esta comunidade. Da mesma forma que mataram minha avó Ngo Martha e lhe arrancaram o coração [há alguns anos], mataram meu tio Dangai e lhe arrancaram a língua. E estão nos pressionando, querem ter certeza de que vamos embora desta comunidade”, acrescentou.

Mesmo após o ataque, moradores de comunidades cristãs ao sul da cidade de Jos receberam alertas sobre possíveis novos atentados, no dia 15 de julho. 

A violência em Plateau

Segundo Solomon Dalyop, líder e advogado do povo Berom, o ataque aumentou as preocupações de novos massacres na região, onde mais de 200 pessoas foram mortas apenas nos últimos cinco meses. 

Durante uma coletiva de imprensa realizada em 15 de julho, ele afirmou que a população “têm suportado o fardo insuportável do terror implacável”. 

“Nossas comunidades se tornaram palcos de derramamento de sangue; nossas terras foram invadidas violentamente; nossas aldeias foram reduzidas à desolação; nossas fazendas foram abandonadas; nossa vida econômica foi estrangulada; e milhares de pessoas foram condenadas a vidas de deslocamento, medo e incerteza”, disse ele.

“Gerações que deveriam estar construindo prosperidade, em vez disso, enterraram entes queridos, fugiram de suas casas e lutaram apenas para sobreviver em outros lugares. A tragédia de Plateau deixou de ser uma questão isolada de segurança. Tornou-se uma catástrofe humanitária prolongada e um profundo desafio moral à nossa consciência coletiva”, acrescentou.

Durante o funeral das vítimas, o deputado Fom Dalyop Chollom afirmou: “O que aconteceu é triste. É uma clara manifestação de que essas pessoas declararam guerra aos nativos cristãos”.

Nova ameaça após a morte dos familiares 

Dachomo vive sob fortes ameaças de morte desde que denunciou o genocídio contra cristãos no país e pediu ajuda internacional. 

As ameaças começaram após a divulgação de um vídeo gravado em outubro de 2025, no qual o pastor aparece dentro de uma cova coletiva ao lado dos corpos de pelo menos 12 cristãos assassinados. Nas imagens, ele acusa o governo nigeriano de negar a perseguição e faz um apelo aos Estados Unidos, ao Senado americano e à ONU para que intervenham diante da violência. 

Após o assassinato de seus nove familiares, o pastor afirmou ter recebido uma nova ameaça de morte. 

Em um vídeo, Dachomo contou que os responsáveis ​​pelo ataque lhe enviaram uma carta dizendo que ele teria o mesmo destino de seus parentes. No entanto, o pastor afirmou estar disposto a se defender e voltou a cobrar uma resposta das autoridades. 

“Tinubu [atual presidente da Nigéria], estou aguardando minha prisão. A autodefesa é indispensável, e estamos preparados. Já chega".

Por fim, o pastor também acusou o governo federal de falhar na proteção das comunidades afetadas pela violência no estado de Plateau. 

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