Países que perseguem a Igreja: como vivem os cristãos na Síria

Além da guerra e da pandemia, cristãos sírios também enfrentam hostilidade, violência e preconceito.

Fonte: Guiame, com informações de Portas AbertasAtualizado: terça-feira, 30 de março de 2021 12:33
Cristãos sírios são vencedores por vencer a “guerra espiritual” em meio à perseguição. (Foto: Portas Abertas)
Cristãos sírios são vencedores por vencer a “guerra espiritual” em meio à perseguição. (Foto: Portas Abertas)

POPULAÇÃO: 18,9 milhões 
CRISTÃOS: 677 mil 
RELIGIÃO: Islamismo, cristianismo, druso, judaísmo 
GOVERNO: República presidencialista 
LÍDER: Bashar al-Assad
POSIÇÃO: 12º na Lista Mundial da Perseguição

Oficialmente conhecida como República Árabe Síria, o país já foi conhecido por suas planícies férteis, altas montanhas e desertos. Naquela terra há diversos grupos étnicos e religiosos, numa mistura de árabes, gregos, armênios, assírios, curdos, turcos, entre outros. Mas, os árabes sunitas formam o maior grupo populacional do país.

A Síria moderna foi estabelecida após a Primeira Guerra Mundial, ganhando sua independência como república parlamentar, em 1945. Atualmente, seu governo é considerado autoritário, dirigido por Bashar al-Assad desde 2.000.  

O que tornou o país mais conhecido para o mundo foi a guerra que já dura 10 anos. Tudo começou com um movimento que ficou conhecido como Primavera Árabe, onde o povo pretendia derrubar os ditadores e conquistar melhores condições de vida. Os protestos deram certo para alguns países, mas não para a Síria.

Essa guerra civil acabou favorecendo a perseguição aos cristãos. Em áreas controladas por grupos extremistas islâmicos, as expressões públicas do cristianismo são proibidas e a maioria das igrejas foi fechada ou destruída. Em áreas controladas pelo governo essa ameaça é menor, mas ainda há sequestros de jovens cristãos por dissidentes islâmicos, inclusive militantes do Estado Islâmico ainda ativos. 

Quais os mecanismos de perseguição aos cristãos na Síria?

Paranoia ditatorial e opressão islâmica são os maiores motivos da perseguição aos seguidores de Cristo. Os ex-muçulmanos ficam mais vulneráveis, pois são vistos como traidores e apóstatas.

Para a família, ter um de seus membros convertido ao cristianismo é motivo de vergonha e desonra. Para as mulheres e meninas, em particular, é mais difícil porque enfrentam ataques sexuais. Em alguns locais, a violência sexual contra as mulheres se tornou algo comum.

As cristãs ex-muçulmanas costumam manter a nova fé em segredo, como forma de proteção. Se a fé for descoberta, elas ficam vulneráveis a “crimes de honra”, cometidos pela família muçulmana, e também enfrentam uma extrema pressão para retornar ao islã. Na prática, a lei pouco faz para proteger mulheres e meninas da violência familiar. 

Se uma mulher se converte enquanto é casada com um homem muçulmano, é provável que ela se divorcie e perca o acesso aos filhos. Segundo a sharia (conjunto de leis islâmicas), todos os direitos vão para o cônjuge muçulmano.  

Para os homens sírios que se convertem ao cristianismo, há perigo de sequestro, morte ou perda do emprego, como aconteceu amplamente durante a pandemia. Os pastores, normalmente, são alvos de sequestro, o que afeta toda a comunidade. 

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