Muçulmano é condenado por sequestrar adolescente cristã e forçá-la a se casar

O pai da adolescente, Charles Oruru elogiou a decisão de sentença do tribunal nigeriano.

Fonte: Guiame, com informações do Christian PostAtualizado: segunda-feira, 25 de maio de 2020 12:55
O muçulmano Yunusa Dahiru e a adolescente cristã Ese Oruru. (Foto: Reprodição/Daily Post)
O muçulmano Yunusa Dahiru e a adolescente cristã Ese Oruru. (Foto: Reprodição/Daily Post)

Um tribunal federal do estado de Bayelsa, na Nigéria, condenou na quinta-feira (21) Yunusa Dahiru pelo sequestro da adolescente cristã Ese Oruru, segundo os meios de comunicação nigerianos.

Oruru foi sequestrada da loja de sua mãe em agosto de 2015, aos 14 anos, por Dahiru.

A criança foi levada para o estado de maioria muçulmana de Kano, onde ela teria sido estuprada, forçada a aceitar o Islã e casada com seu captor. Além disso, seu nome foi alterado para "Aisha", o nome de uma das esposas do profeta do Islã, Muhammad.

O caso de sequestro ganhou atenção da mídia quando seus pais aumentaram a conscientização do público.

Meses depois, em fevereiro de 2016, a polícia estadual resgatou Oruru, que estava grávida de cinco meses de sua filha.

Charles Oruru, pai de Ese, elogiou a decisão de sentença do tribunal em uma entrevista ao jornal diário nigeriano independente The Guardian. "Estou muito feliz e agradecido porque vejo que todo o meu sofrimento não foi em vão", disse o pai. "Este caso servirá como um impedimento para outras pessoas que traficam os filhos das pessoas. Agradeço a Deus que a verdade tenha prevalecido. Eu e minha família estamos muito felizes.”

Segundo a CSW, a libertação de Ese Oruru ocorreu um dia após o jornal nigeriano The Punch ter lançado sua campanha viral #FreeEse nas mídias sociais.

Os processos criminais contra Dahiru começaram em março de 2016, mas ele foi inicialmente libertado sob fiança. Posteriomente, ele foi preso novamente por não comparecer ao tribunal.

"Congratulamo-nos com essa convicção e esperamos que ela marque o início de uma erosão da impunidade em torno desses crimes, dissuadindo os possíveis autores e seus facilitadores", disse o presidente-executivo da CSW, Mervyn Thomas.

"É inaceitável que as meninas nos estados de Shari'a continuem sofrendo violações múltiplas de seus direitos à liberdade de religião ou crença, educação, cuidado dos pais e liberdade e segurança da pessoa, entre outros", destacou.

Sequestros

Na Nigéria, muitas meninas e mulheres jovens foram sequestrados em diversas ocasiões por diferentes atores como Boko Haram, extremistas do Estado Islâmico, pastores radicais Fulani e gangues na estrada.

Embora alguns sequestros sejam para pagamento de resgate, centenas de estudantes foram sequestradas por extremistas islâmicos no nordeste da Nigéria, muitos dos quais foram casados ​​com militantes.

“A única diferença entre esses sequestros e os cometidos por facções terroristas no nordeste da Nigéria é que, em vez de traficar meninas menores de idade para espaços não-governamentais, esses sequestradores tentam se esconder atrás de autoridades tradicionais que podem ter tolerado suas ações”, explicou Thomas.

"Instamos as autoridades federais nigerianas a se tornarem mais pró-ativas para garantir o retorno imediato de menores sequestrados a suas famílias e a processar de maneira consistente qualquer pessoa envolvida em tais crimes, em toda a extensão da lei", declarou.

De acordo com a Portas Abertas, que monitora perseguições em mais de 60 países, sequestros e casamentos forçados de meninas cristãs “acontecem muito” no contexto não militante no norte da Nigéria, com maioria muçulmana.

"Existem até casos de meninas cristãs que foram sequestradas do sul e casadas no norte", diz um dossiê da Portas Abertas na Nigéria.

A Nigéria está classificada como o 12º pior país do mundo em perseguição cristã, de acordo com a Lista Mundial de Perseguição 2020 da Portas Abertas.

Em outubro passado, seis alunas cristãs e dois funcionários foram sequestrados por radicais Fulani no estado de Kaduna. Eles foram libertados quase um mês depois.

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