Irã ameaça confiscar igreja protestante histórica e prender membros

Autoridades ameaçaram tomar a Igreja Evangélica de São Pedro, um dos poucos templos protestantes que restou no país, e despejar 20 famílias que moram no local.

Fonte: Guiame, com informações de The Christian Post e The Jerusalem PostAtualizado: quarta-feira, 8 de julho de 2026 às 13:32
Igreja Evangélica de São Pedro de Teerã. (Foto: Wikimedia/Herbert karim masihi).
Igreja Evangélica de São Pedro de Teerã. (Foto: Wikimedia/Herbert karim masihi).

Uma das poucas igrejas protestantes que restou no Irã está enfrentando ameaça de confisco pelo regime islâmico, segundo relatos da mídia internacional.

Representantes do governo iraniano ameaçaram fechar a Igreja Evangélica de São Pedro em Teerã, tomar seu complexo e despejar 20 famílias que moram no local.

De acordo com o The Jerusalem Post, forças de segurança entraram na igreja histórica e permaneceram durante um culto com o objetivo de “identificar as pessoas" presentes.

“Disseram que vão voltar mais tarde para evacuar quem mora no local e assumir o controle”, relatou Sasan Tavassoli, líder da Igreja Presbiteriana no Irã que reside nos EUA, ao site Iran International.

Segundo ele, a propriedade da igreja vale "dezenas de milhões de dólares”. "Vou dizer as palavras literais que eles usaram: ‘Estávamos preocupados com a América todos esses anos. A América veio. Eles nos deram tapas na cara. Demos tapas na cara deles de volta. E então a América se retirou. Então não temos mais medo da América’", disse Sasan, ao The Free Press.

Os líderes e membros da Igreja Evangélica de São Pedro foram informados que se permanecerem no local serão considerados invasores e serão presos.

Um jardim de 10.000 metros quadrados da igreja já foi tomado pelas autoridades. O espaço foi ocupado por quatro oficiais do Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC) através de uma nova escritura em seus nomes.

A igreja Evangélica de São Pedro foi fundada por missionários americanos em 1876 e tem servido à pequena comunidade protestante do Irã desde então.


Igreja Evangélica de São Pedro de Teerã. (Foto: Wikimedia/Herbert karim masihi).

Repressão em meio ao aumento de conversões

A ameaça à igreja histórica faz parte da intensificação da repressão do governo iraniano após o aumento de conversões à fé cristã no país.

"Há muitos relatos de detetives particulares de que muito mais pessoas estão se convertendo ao cristianismo, especialmente às versões protestantes, tentando sair do Irã com essa desculpa, e também simplesmente fugindo, escapando dessa ideologia e do Islã. Mesmo que fiquem no Irã, querem algum tipo de vida melhor em seus valores, então se convertem muito mais nos últimos anos", explicou Beni Sabti, especialista em Irã, ao The Jerusalem Post.

"Acho que eles queriam ir às raízes [da vida cristã no Irã], e foi por isso que começaram a prejudicar a igreja. Ela permaneceu ali muitos anos, até mesmo antes da revolução. Claro, ninguém pode estabelecer uma nova igreja no Irã desde o início da revolução, nem uma mesquita sunita, nem uma sinagoga, e agora planejam confiscá-la. Toda vez que o regime iraniano faz isso é porque está com medo e preocupação”, acrescentou.

No início de junho, a Comunhão Mundial das Igrejas Reformadas informou que recebeu relatos de que a Igreja Evangélica do Irã em Mashhad, a segunda maior cidade do Irã, havia sido tomada e demolida pelo regime iraniano.

“Mais uma vez prova da natureza repressiva desse regime teocrático, que tem perseguido minorias religiosas de todas as formas desde sua ascensão ao poder. Confiscar propriedades pertencentes a minorias religiosas é uma tática conhecida comumente usada pelas autoridades iranianas para intimidar e incutir medo nas comunidades religiosas”, avaliou Mena, representante do Oriente Médio da Christian Solidarity Worldwide, uma organização que defende a liberdade religiosa.

Perseguição no Irã

O Irã é um país predominante muçulmano e o governo islâmico persegue os cristãos, proibindo igrejas, Bíblias e evangelismo. 

Líderes e cristãos descobertos podem enfrentar prisão e tortura, principalmente se deixaram o Islã para seguir a Cristo, já que renunciar ao islamismo é proibido pela Sharia (lei islâmica).

Apesar da forte perseguição, a igreja secreta continua crescendo no país, segundo um relatório do Article 18.

O Irã ocupa a 10ª posição da Lista Mundial da Perseguição 2026 da Missão Portas Abertas.

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