China liberta pastor de igreja subterrânea preso há 9 meses, após intervenção de Trump

Ezra Jin Mingri, pastor da Igreja Sião, foi solto após Trump pedir sua libertação a Xi Jinping e reencontrou a família nos EUA.

Fonte: Guiame, com informações do NPR e The GuardianAtualizado: segunda-feira, 6 de julho de 2026 às 16:17
Pastor Ezra Jin Mingri ao lado de sua filha, Grace Jin Drexel, que atuou internacionalmente em defesa do pai. (Foto: Arquivo pessoal)
Pastor Ezra Jin Mingri ao lado de sua filha, Grace Jin Drexel, que atuou internacionalmente em defesa do pai. (Foto: Arquivo pessoal)

Um pastor de uma das principais igrejas subterrâneas da China foi libertado após passar nove meses preso no país.

A soltura ocorreu menos de dois meses depois de o presidente dos EUA, Donald Trump, pedir sua libertação ao líder chinês, Xi Jinping, durante um encontro em Pequim, segundo informaram neste sábado familiares e entidades de direitos humanos.

Após ser libertado, o pastor Ezra Jin Mingri desembarcou em Los Angeles, onde “finalmente se reencontrou com sua família”, escreveu Frances Hui, da Fundação Comitê para a Liberdade em Hong Kong, em publicação no X.

Jin e outros 17 líderes da Igreja Sião, que atua de forma clandestina na China, foram presos em outubro, em uma das maiores ações de repressão contra uma única igreja no país nas últimas décadas.

O caso intensificou as preocupações de organizações de direitos humanos sobre o aumento das restrições à liberdade religiosa promovidas pelo governo chinês.

‘Um milagre extraordinário’

Em comunicado, a família do pastor afirmou que a libertação de Jin ocorreu de forma surpreendentemente rápida.

Os familiares agradeceram ao presidente Trump pelo apoio e declararam acreditar que a soltura não teria sido possível sem a intervenção direta do líder chinês, Xi Jinping.

“Esperamos que isso seja um sinal de uma mudança positiva para as pessoas de fé na China e para as relações entre nossas duas nações”, afirmou a família no comunicado.

“Testemunhamos um verdadeiro milagre e estamos transbordando de alegria”, afirmou a família de Jin em um comunicado.

“Agradecemos a Deus por este tremendo milagre. Agradecemos também ao presidente Donald Trump e à sua administração por sua extraordinária liderança.”

Repercussão internacional

A prisão de Jin ganhou repercussão internacional após Trump revelar, durante o retorno de sua visita de Estado a Pequim, em maio, que havia discutido com Xi a detenção do pastor e também a do ativista pró-democracia de Hong Kong, Jimmy Lai, que permanece preso.

“Ele disse que analisaria seriamente o caso do pastor”, afirmou Trump a jornalistas durante o voo de retorno. Segundo o presidente americano, Xi indicou que a situação de Jimmy Lai “seria mais difícil”.

Lai, de 78 anos, é ex-empresário do setor têxtil e fundador de um tabloide de Hong Kong crítico ao governo de Pequim. Em fevereiro, ele foi condenado a 20 anos de prisão.

Ativistas de direitos humanos comemoraram a libertação de Jin, mas ressaltaram que outros líderes cristãos continuam presos na China.

“Pelo menos oito membros da Igreja Sião permanecem detidos na China”, escreveu Maya Wang, da Human Rights Watch, em publicação no X. “Todos eles devem ser libertados.”

Uma das maiores igrejas domésticas

A Igreja Sião é uma das maiores igrejas domésticas, também conhecidas como igrejas clandestinas, da China. Elas desafiam a exigência do governo de que os fiéis participem apenas de igrejas autorizadas pelo Estado.

O Partido Comunista Chinês, oficialmente ateu, considera a religião organizada uma possível ameaça à sua autoridade.

Sob a liderança de Xi, o governo intensificou a política de “sinização” das religiões, exigindo que os grupos religiosos demonstrem lealdade ao partido e alinhem suas práticas à ideologia estatal.

“Meu pai fundou a Igreja Sião para poder adorar livremente em uma igreja que colocava Deus como o único líder, como muitos cristãos fiéis fazem em todo o mundo”, disse sua filha, Grace Jin Drexel, que mora nos EUA, a uma comissão do Congresso em novembro.

Jin enviou sua família para os EUA após as autoridades intensificarem a perseguição à Igreja Sião, em 2018.

Apesar dos riscos, ele decidiu retornar à China para continuar liderando a congregação. Em depoimento no ano passado, sua filha revelou que não via o pai havia seis anos.

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