China construiu prisões e campos de detenção com capacidade de mais de 1 milhão de pessoas

Desde 2016, o Partido Counista Chinês vem construindo complexos, os maiores desde os campos nazistas na 2ª Guerra Mundial, para deter opositores políticos e minorias religiosas.

Fonte: Guiame, com informações do BuzzFedd e Christianity HeadlinesAtualizado: segunda-feira, 9 de agosto de 2021 13:12
Filmagens secretas obtidas pelo grupo de ativistas Bitter Winter mostraram celas com barras e câmeras. (Foto: Bitter Winter).
Filmagens secretas obtidas pelo grupo de ativistas Bitter Winter mostraram celas com barras e câmeras. (Foto: Bitter Winter).

A China construiu, nos últimos anos, prisões e campos de detenção com a capacidade de aprisionar mais de 1 milhão de pessoas ao mesmo tempo, em Xinjiang. 

Uma reportagem investigativa do BuzzFeed News sobre o sistema prisional do regime revelou que desde 2016, o Partido Comunista Chinês (PCC) tem investido em infraestrutura para encarcerar opositores políticos e minorias religiosas, como os uigures. 

Analisando imagens de satélite, documentos e testemunhos de ex-detentos, o BuzzFeed calculou as áreas de 347 complexos com as marcas registradas de prisões e campos de internamento na região, chegando a capacidade total impressionante de 1.014.883 prisioneiros e detidos em Xinjiang. Sem contar as mais de 100 outras prisões e campos que já foram construídos antes de 2016.

O governo chinês construiu espaço suficiente para encarcerar mais de 1 para cada 25 moradores de Xinjiang ao mesmo tempo,  um número sete vezes maior do que a capacidade de detenção criminal dos Estados Unidos, o país com a maior taxa de encarceramento oficial do mundo.

Os complexos de detenção, a maioria construídos entre 2017 e 2018, possuem cerca de 19,2 milhões de metros quadrados. As celas nas prisões e campos de detenção podem abrigar cerca de oito a 16 prisioneiros, com um espaço de cerca de cinco a sete metros quadrados cada. 

De acordo com o jornal LifeSite, o PCC começou a desenvolver uma "infraestrutura de detenção em massa permanente" em Xinjiang, em 2020, para perseguir minorias religiosas como os uigures, cazaques e outros. A "campanha draconiana de detenção, vigilância, trabalho forçado e repressão" direcionada a essas minorias religiosas foi realizada nesses novos complexos na China. Em 2016, as detenções eram feitas em escolas, hospitais e prédios de apartamentos que serviam como prisões improvisadas. 


Imagens de satélite mostram a rápida construção de um grande campo perto de Dabancheng em Xinjiang. (Foto: BBC Brasil).

Maior campanha de detenção desde os campos nazistas

A descoberta do novo complexo de prisões e campos de detenção na China refletem o que pesquisadores, funcionários da ONU e governos ocidentais há muito tempo alertam: a campanha de detenção da China em Xinjiang é a maior, perseguindo uma minoria religiosa, desde os campos nazistas durante a Segunda Guerra Mundial.

Em 2020, o governo dos EUA relatou um aumento significativo da perseguição religiosa na China. De acordo com a National Review, o PCC “emitiu regras cobrindo todos os aspectos da vida religiosa, desde a formação de grupos até as atividades diárias envolvendo adoração e oração, todas as quais precisam ser aprovadas pelo governo comunista”.

"Estamos passando de um estado policial para um estado de encarceramento em massa. Centenas de milhares de pessoas desapareceram da população. É a criminalização do comportamento normal”, disse o antropólogo Darren Byler, da Universidade do Colorado, que estuda o povo uigur, à Voice Of America.

Em julho, durante a Cúpula Internacional de Liberdade Religiosa nos EUA, uma sobrevivente uigur dos campos de detenção na China relatou o terror vivido na prisão e denunciou estupros sistemáticos cometidos pelos guardas contra as mulheres uigur detidas.

Conforme a Cúpula Internacional de Liberdade Religiosa, cerca de 1 a 3 milhões de uigures e outros turcos muçulmanos estão detidos em campos de concentração na China, sujeitos a trabalhos forçados e a esterilização forçada. E mesmo os uigures que não são enviados a campos de concentração, enfrentam vigilância extrema do governo chinês.

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