Asia Bibi conta como Deus se revelou no corredor da morte: ‘Vi a intervenção divina’

A cristã perseguida passou oito anos no corredor da morte, e conta como Deus a visitou durante esse tempo.

Fonte: Guiame, com informações de Christian PostAtualizado: terça-feira, 20 de julho de 2021 13:25
Asia Bibi durante uma sessão de fotos em Paris, em 25 de fevereiro de 2020. (Foto: Martin Bureau/AFP/Getty Images)
Asia Bibi durante uma sessão de fotos em Paris, em 25 de fevereiro de 2020. (Foto: Martin Bureau/AFP/Getty Images)

A cristã paquistanesa, Asia Bibi, que hoje mora no Canadá, conta sobre o que enfrentou enquanto ficou presa por mais de oito anos, acusada de blasfêmia contra o islamismo. As acusações contra ela foram forjadas. Mas, no corredor da morte, ela disse que “cresceu na fé”. 

Em um discurso na Cúpula Internacional da Liberdade Religiosa que acontece anualmente, nos Estados Unidos, Asia Bibi, auxiliada por um tradutor, descreveu como sua experiência na prisão a transformou de uma “cristã comum” em uma defensora apaixonada de sua fé. 

A provação de Bibi começou quando trabalhadores de campo muçulmanos a acusaram de “contaminar a água” bebendo do mesmo recipiente que eles. Isso porque os cristãos são vistos como “impuros” para os seguidores de Alá.

Depois disso, houve uma discussão entre colegas de trabalho, que se transformou em queixa criminal contra ela. As mulheres a acusaram de cometer blasfêmia por insultar o profeta Maomé. O ocorrido que parecia algo simples resultou em pena de prisão perpétua e morte por enforcamento.

Acusada de blasfêmia

Antes de Bibi ser presa, ela foi espancada em sua própria casa, durante uma investigação policial sobre seu suposto “crime”. Em 2009, foi condenada e sentenciada à morte de acordo com a seção 295-C da lei de blasfêmia do Paquistão. 

Ela foi absolvida em 31 de outubro de 2018 e posteriormente recebeu asilo no Canadá, em 8 de maio de 2019, depois que outros países, incluindo a Inglaterra, decidiram não oferecer asilo a ela em meio a preocupações com um possível levante entre suas populações muçulmanas fundamentalistas. 

Bibi, que nunca desistiu de declarar sua inocência da acusação, estava entre as várias minorias religiosas perseguidas para discursar na cúpula de três dias, em Washington, na semana passada. 

Relatos de Asia Bibi

“Eu estava bem com minha família antes de 2009, quando ocorreu o incidente”, disse Bibi na quinta-feira (15), último dia da cúpula. Depois de enfrentar a alegação de blasfêmia, ela foi interrogada em uma delegacia de polícia e começou a “chorar”. 

Ela explicou que a “pressão pública” desempenhou um papel importante em suas acusações e na condenação. Inicialmente, ela foi encarcerada por quatro anos em uma prisão perto de sua casa.

Patrick Sookdeho, do Barnabas Fund, uma agência de ajuda cristã e um dos vários grupos de defesa que patrocinou a cúpula, explicou que a lei da blasfêmia do Paquistão “é usada por aqueles que estão insatisfeitos com os cristãos ou é usada contra um cristão em particular como uma ‘arma’ para acertar contas”.

Ele citou o exemplo de um lojista que queria tirar um concorrente cristão do mercado, observando que tudo o que ele precisava fazer era acusá-lo de blasfêmia porque “a simples acusação de um muçulmano, de insultar o profeta Maomé, significa prisão automática e julgamento”. 

A prisão de Bibi sob a acusação de blasfêmia é apenas um exemplo de como tal acusação pode ser usada contra cristãos e minorias religiosas no Paquistão. Bibi, que nasceu Aasiya Noreen, atribuiu a alegação de blasfêmia contra ela a uma “tensão entre sua família e o líder daquela aldeia”, onde ela morava com o marido e os filhos.

Segundo Bibi, o líder “plantou” a acusação de blasfêmia contra ela. Ela se sentiu totalmente vulnerável depois que foi condenada e viveu o que chama de “reviravolta” em sua vida. 

Presença de Deus

“Depois de uma semana de choro contínuo e clamores ao Senhor, numa daquelas manhãs, um pássaro me visitou. Ele estava perto da área onde eu estava presa e parecia que estava falando comigo”, lembra.

“No início, fiquei muito surpresa quando vi um passarinho olhando para mim. Eu pensei: ‘O que está acontecendo?’”, e ela chegou à conclusão de que Deus, às vezes, se revela de maneiras diferentes.

Bibi então começou a falar com o pássaro. “Não sei por que essa palavra saiu da minha boca, mas eu disse: 'A paz esteja com você'. Eu estava conversando com um pássaro”, revelou.

Mesmo enquanto enfrentava a pena de morte por falsas acusações de blasfêmia, o encontro de Bibi com o pássaro permitiu que ela visse o lado positivo: “Aquela situação me levantou e minha esperança foi despertada”, contou.

A prática continuou nos três anos seguintes. “Às 4h da manhã, o mesmo pássaro me visitava e isso me animava”. Bibi, que anteriormente se identificava como uma cristã comum, disse que as visitas matinais daquele pássaro era como um sinal de Deus “para me levar a crescer firme na fé”.

Na primeira prisão onde foi alojada, ela começou a rotina de alimentar aquele pássaro com as poucas provisões alimentares que tinha. Depois ela foi transferida para outra prisão, e o pássaro a acompanhou. Bibi conta que, em todas as suas transferências, o passarinho estava com ela. 

Um sábio conselho

Além da presença de um pássaro, Bibi também revelou que o conselho de seu pai foi essencial. “Não se preocupe com sua vida, se vai ou não ser morta, apenas nunca comprometa sua fé e seja forte”, ele disse.

Em seu discurso, Bibi aproveitou para agradecer às organizações não governamentais e igrejas por cuidar de sua família enquanto ela esteve presa. Os filhos contavam para ela que havia muitas pessoas orando pela sua situação. 

“Suas orações foram atendidas”, declarou Bibi, porque ela foi libertada da prisão em um evento que descreve ter sido um verdadeiro milagre. “Não haveria nenhuma chance sem a intervenção divina”, reconheceu.

Focada no conselho de seu pai, a cristã perseguida que era uma prisioneira no Paquistão, hoje é uma ativista reconhecida mundialmente. Ela finalizou seu discurso exortando a todos “crianças, jovens e famílias do Paquistão  — cresçam e permaneçam firmes em sua fé”. 

Situação dos cristãos no Paquistão

“Atualmente, há pelo menos cinco cristãos no corredor da morte, por blasfêmia e mais 20 que estão presos”, explicou Sookdeho. Ele relatou que, desde 1990, pelo menos 15 cristãos foram assassinados por causa de alegações de blasfêmia, muitas vezes antes do início do julgamento.

As alegações de blasfêmia, a hostilidade e a discriminação que os cristãos sofrem no Paquistão, nem sempre são por parte do governo, mas da própria sociedade. Ele fez alguns elogios ao governo paquistanês por trabalhar na eliminação de “práticas discriminatórias” contra os seguidores de Cristo.

Mas argumentou que, enquanto houver “resistência religiosa” quanto às mudanças necessárias, os cristãos continuarão a se sentir em desvantagem com a “rígida estrutura social do país”.

Em seu testemunho na cúpula, Bibi concluiu expressando o desejo de “ser uma voz” para irmãs e irmãos na fé. Ela convocou os cristãos em todo o mundo a “dar as mãos e ficar juntos para que possam ser essa voz potente em nome dos que sofrem. “Vamos ajudá-los a sair desse tipo de situação, como o Senhor fez por mim”, finalizou.

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