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Israel

Tribunal autoriza judeus a orar na Esplanada das Mesquitas, desde que seja “em silêncio”

Normalmente, os judeus se concentram em frente ao Muro das Lamentações, mas alguns decidiram orar escondidos em local proibido.

Fonte: Guiame, com informações de France PresseAtualizado: sexta-feira, 8 de outubro de 2021 18:22
O rabino Yehudah Glick orando no Monte do Templo, em agosto de 2021, enquanto um policial patrulhava nas proximidades. (Foto: Amit Elkayam/The New York Times).
O rabino Yehudah Glick orando no Monte do Templo, em agosto de 2021, enquanto um policial patrulhava nas proximidades. (Foto: Amit Elkayam/The New York Times).

O Tribunal Israelense determinou, na terça-feira (5), que os judeus podem orar na Esplanada das Mesquitas, desde que permaneçam em silêncio. A decisão gerou descontentamento nos palestinos e os países muçulmanos disseram que “é uma violação ao terceiro local mais sagrado do islã”.

Durante décadas, essa é uma questão polêmica entre os dois povos. Entre as confusões, está o caso do rabino Arié Lippo, que foi detido por policiais, em 29 de setembro, porque orava em silêncio no Monte do Templo, nome dado à Esplanada das Mesquitas pelos judeus.

A polícia israelense proibiu o homem de visitar o local por duas semanas e estava controlando as entradas do templo, chamado de Nobre Santuário pelos muçulmanos. O local é administrado pelo Waqf, um órgão dependente da Jordânia, que também abriga a Cúpula da Rocha e a mesquita Al-Aqsa.

Para Israel, o grande pátio também é considerado um dos lugares mais sagrados no judaísmo, já que o local abrigou os dois últimos Templos, construídos antigamente pelos hebreus.

Outras polêmicas

Depois que o governo de Israel permitiu, discretamente, que um número de judeus cada vez maior, reze no Monte Sagrado, o rabino Yehudah Glick ficou conhecido por fazer uma transmissão ao vivo orando no local.

Há décadas o ex-deputado de direita, nascido nos Estados Unidos, tem liderado uma batalha pelo direitos dos judeus orarem no Monte do Templo, o que ele considera uma questão de liberdade religiosa.

Já para Ehud Olmert, ex-primeiro-ministro israelense, a mudança pode agravar a instabilidade em Jerusalém Oriental e ocasionar um conflito religioso.  “É um lugar sensível. E locais sensíveis como este, que têm um enorme potencial de explosão, precisam ser tratado com cuidado”, ponderou Olmet. 

Oficialmente, o governo de Israel permite que não-islâmicos entrem no Monte do Templo todos os dias pela manhã, com a ressalva de não orar no local. Apesar de não existir nenhuma lei que registre a proibição, judeus que tentaram adorar no Monte foram historicamente repreendidos e retirados pela polícia. 

Casos judiciais

O rabino Lippo —  que confessou orar no local proibido, em silêncio, todos os dias — chegou a entrar com um recurso de apelação. Na terça-feira (5), a juíza Bilha Yaalom, do Tribunal de Magistrados de Jerusalém, revogou a decisão da polícia, que o impedia de permanecer na Esplanada das Mesquitas.

"O demandante reza em silêncio em um canto, sem público ao redor. Não vejo o porquê de representar um perigo para a ordem pública como afirma a polícia", declarou a juíza em seu veredito depois de ver os vídeos apresentados pelas autoridades. 

Os judeus religiosos, às vezes, provocam incidentes ao orarem na Esplanada, após subirem lá como simples visitantes. Isso cria tensões com os fiéis palestinos muçulmanos, que temem que Israel tente alterar as normas de acesso ao local sagrado. 

A Organização de Cooperação Islâmica (OCI), com sede na Arábia Saudita, classificou nesta quinta-feira a decisão "ilegal" do tribunal israelense como um "ataque sem precedentes sobre os direitos inalienáveis dos muçulmanos".

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