Sexo é assunto de criança sim!

Sexo é assunto de criança sim!

Fonte: Atualizado: sábado, 31 de maio de 2014 09:54

Assim como um bebê não deve ser alimentado com uma feijoada, as orientações sobre sexo dadas pelos pais aos filhos precisam estar de acordo com o desenvolvimento destes e com sua capacidade de compreensão. Não existe uma idade certa para tocar no assunto e mesmo na infância a sexualidade não deve ser ignorada.

Para falar de sexo com crianças, a coordenadora da Unidade de Psiquiatria da Infância e Adolescência da Unifesp Ivete Gianfaldoni Gattás explica que o melhor é esperar a curiosidade aparecer.

"Devemos esperar que as perguntas surjam normalmente, não precisamos nos apressar ou adiantar em relação a isso. Em primeiro lugar, devemos responder à pergunta da criança, nem mais, nem menos, e é claro dentro de um linguajar próprio para cada idade, do entendimento do universo de uma criança e de sua fase de desenvolvimento", comenta a psiquiatra.

As perguntas podem começar por volta dos dois ou três anos de idade, quando a criança está explorando o mundo ao seu redor e depara-se com o diferente. Por volta dos quatro ou cinco anos, a maioria das crianças já demonstrou interesse por sexo em algum momento.

A curiosidade das crianças por todos os assuntos é natural. É dessa forma que elas aprendem e se desenvolvem. Se seu filho começa a fazer perguntas sobre sexo, não significa que ele sinta desejo, explica Marina Rocha, psicóloga e doutoranda em psicologia clínica na Universidade de São Paulo.

"O que precisa ficar claro é que essa curiosidade não é um desejo sexual adulto, mas sim uma vontade de entender as diferenças entre o masculino e o feminino, de entender o desenvolvimento humano", comenta.

Geralmente, são situações corriqueiras que despertam o interesse das crianças. Ver uma mulher grávida na rua, uma entrada repentina no quarto dos pais num momento de maior intimidade e cenas explícitas na televisão, por exemplo.

Não demonstre constrangimento

A psicóloga Marina Rocha também ressalta a importância dos questionamentos dos filhos serem respondidos de prontidão pelos pais. Segundo ela, uma pergunta sobre sexo é o momento adequado para que o adulto investigue o que a criança tem ouvido falar sobre o tema, tentado saber o que o filho acha antes de responder.

E não adianta contar a história da cegonha, a melhor maneira de falar de sexo com os filhos é ser natural e honesto. "O adulto não deve ficar constrangido com a pergunta, ou responder de maneira evasiva, pois assim passará a mensagem de que a sexualidade é algo negativo ou proibido. Ele deve também evitar recriminar ou punir a criança, provocando um sentimento de culpa", adverte a psicóloga. A especialista acrescenta que fugir do tema é outra atitude a ser evitada, pois há o risco da criança ir buscar informações em outras fontes, o que nem sempre é o mais confiável ou indicado.

Mas, se uma criança começa a ficar insistentemente interessada por sexo a ponto desse assunto se tornar mais constante do que outros esperados para a sua idade, ou ainda se demonstrar comportamento sexualizado, imitando comportamentos sexuais adultos, ela pode estar sendo exposta a estímulos sexuais inapropriados para sua idade, completa a psiquiatra Ivete Gianfaldoni Gattás.

"Expor a criança a situações de sexualidade explícita, superestimulá-las sexualmente, colocá-las em situações onde elas não têm condições de compreender a complexidade irá no mínimo gerar angústia", adverte a especialista.

Cuidado com a superexposição

A psiquiatra Ivete Gianfaldoni Gattás explica que existem muitos adultos que incentivam e acham bonito quando seus filhos de quatro anos dizem que têm um namoradinho na escola sem se dar conta da exposição à qual estão submetendo as crianças.

Ela também comenta que hoje é natural que todos os membros da família vejam os mesmos programas na televisão, inclusive aqueles que exibem comportamentos sexualizados que não são adequados à faixa etária infantil. As consequências desta exposição podem ser as mais variadas, revela a psicóloga Marina Rocha.

"Desde as positivas, como um menor índice de gravidez precoce entre adolescentes bem informadas sobre sexo e contraceptivos, até, por outro lado, a exposição a atividades sexuais inadequadas para a faixa etária; a adoção de estereótipos de gêneros sexuais, como o de que o homem tem que ser machão e a mulher exibicionista, com corpo de modelo. Ou ainda a não distinção do público e do privado, já que tudo é exposto na mídia e nos sites de relacionamento", enumera a psicóloga.

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