Morando com os pais depois dos 30

Morando com os pais depois dos 30

Fonte: Atualizado: sábado, 31 de maio de 2014 09:24

É cada vez maior o número de pessoas que continua a viver na casa dos pais, mesmo após os 30 anos. Alguns pais acham maravilhoso ter os filhos em casa, outros desejam que vivam suas vidas e busquem novas conquistas.

Segundo a psicóloga Erica Pinheiro, os motivos são os mais variados e não se pode generalizar. Ela explica que o perigo de amadurecer como pessoa vivendo sob o mesmo teto com os pais é nunca sair da posição de filho para assumir novos papéis. “Esse filho não assume a posição de pai de família, ou de administrador de seu lar, ou de marido. Isso também vale para a mulher”, esclarece.

De acordo com a profissional, em alguns casos, a decisão de se manter junto aos pais pode ser o medo de assumir a responsabilidade de novos papéis na vida. “O ‘novo’ pode apavorar”, observa. 

Erica chama a atenção para o quadro daquelas pessoas que pensam em não ter lógica fazer um gasto com imóvel se na maior parte do tempo ele ficará vazio. Daí, preferem morar com os pais.

“Uns não saem de casa para morar sozinhos porque acham que estão abandonando os pais; por outro lado, existem aqueles filhos cujos pais é que acham que, se eles saírem de casa, estarão abandonados os genitores”, explica. A psicóloga esclarece que existem casos de filhos que só querem sair de casa depois de casados, e muitos alegam não ter encontrado a pessoa certa.

De acordo com a profissional, outros visam a vantagem de ter mais segurança e menos gastos. Sabem que, quando chegarem do trabalho, vão ter, além de um ambiente familiar e agradável, uma casa arrumada, roupa limpa e passada, comidinha pronta e um bate-papo com a mãe ou o pai. “Há casos, porém, em que os filhos não saem de casa para cuidar do pai ou da mãe que são doentes. Só tomam uma atitude após a cura ou a morte dos pais”, esclarece.

A psicóloga lembra que muitos só não moram sozinhos por questão financeira. “Por mais variados que sejam os casos, uma coisa é fator quase que comum em todos eles: a falta de privacidade”, conclui.

A professora Valéria Silva do Nascimento, de 46 anos, já pensou em morar sozinha várias vezes, mas a preocupação em dar assistência aos seus pais levou-a a decidir ficar com eles. “Não falo em retribuição, mas em estar ao lado para dar apoio diante dos problemas que vão surgindo durante o processo de envelhecimento”, explica Valéria.

A professora conta que não sente falta de privacidade porque em sua família existe respeito de um pelo espaço do outro. A questão do medo de assumir responsabilidades também não faz parte da vida de Valéria. Sua visão é de segurança. “Não tenho medo, mas tenho o hábito de avaliar muito bem as situações antes de tomar qualquer decisão. Não costumo correr riscos desnecessários”, enfatiza.

Desejar morar em outro lugar sem ser a casa dos pais é fato, pois segundo a professora, a necessidade de mais autonomia vai surgindo com o passar do tempo. “Sair de casa mediante casamento certamente seria uma situação menos dolorosa para todos. Mas sair para morar sozinha não está fora de cogitação”, comenta.

Valéria chama a atenção para o fato de a convivência com seus pais ser muito boa, pois sempre se sentiu muito amada e acolhida por sua família. A professora diz não ter dificuldades de relacionamento dentro ou fora de casa, mas observa que tem os seus princípios e valores.

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