A Bíblia da Mulher

A Bíblia da Mulher

Fonte: Atualizado: sábado, 29 de março de 2014 03:31

Frente ao lamentável quadro da violência contra a mulher - também entre os evangélicos -, torna-se necessário revisitar e resgatar algumas leituras da Bíblia.

O homem à imagem e semelhança de Deus é um casal

"Este é o livro da genealogia de Adão. No dia em que Deus criou o homem, à semelhança de Deus o fez; homem e mulher os criou, e os abençoou, e lhes chamou pelo nome de Adão, no dia em que foram criados" (Gn 5.1-2).

Duas pessoas, um só nome. Deus é uma família; ao criar à sua imagem e semelhança, criou outra família. Assim, o homem à imagem e semelhança de Deus é um homem coletivo. É uma só criação, já que Deus manipulou o barro e soprou apenas uma vez. (Gn 2.7). Na proposta divina, a humanidade seria uma família que se amaria a ponto de viver como se fosse uma só pessoa. Individualmente, cada um é imagem e semelhança de Deus ao nascer numa família e para uma família, o que deveria se estender a toda a humanidade, já que somos uma só família. Não deu certo. Jesus retomou essa possibilidade ao gerar a Igreja. Toda igreja local tem como missão viver a unidade familiar que é a imagem e semelhança de Deus. O primeiro casal era a imagem e semelhança de Deus e o homem não manifestaria plenamente a Trindade sem a mulher e vice-versa.

A inimizade do adversário é para com a mulher

"Porei inimizade entre ti e a mulher, entre a tua descendência e o seu descendente" (Gn 3.15).

A briga do inimigo, desde sempre, é com a mulher. O ser masculino entra na luta por ser descendência dela. Possivelmente, isso explica muito da luta da mulher, que parece ter sido a mais prejudicada na queda. É plausível pensar que o papel masculino seria, a exemplo do grande descendente, guardar a mulher da maldade da serpente (José, pai adotivo de Jesus, conseguiu!). Porém, de alguma forma cooptado pela serpente, o ser masculino se tornou o algoz da mulher e usurpou a humanidade, tratando-a como se fosse um ser humano de segunda classe.

Deus reinventou a maternidade e fez um pacto com a mulher

"Porei inimizade entre ti e a mulher, entre a tua descendência e o seu descendente. Este te ferirá a cabeça, e tu lhe ferirás o calcanhar" (Gn 3.15).

Antes da queda, a maternidade era a forma como nos multiplicaríamos (Gn 1.28).

Após ela, a maternidade se tornou a única esperança da humanidade, que passou a esperar pelo dia em que a mulher geraria o descendente que esmagaria a cabeça do inimigo e libertaria a raça humana - o que aconteceu em Maria. Deus fez uma aliança com a mulher: de seu ventre, por obra de Deus, sairia o salvador do mundo. E, agora, após a vinda do Jesus de Nazaré, a maternidade é a prova de que o descendente venceu. Deus fez um pacto com a humanidade por meio da mulher.

Deus manteve-se fiel à mulher

"Então, se prostrou Abraão, rosto em terra, e se riu, e disse consigo: A um homem de cem anos há de nascer um filho? Dará à luz Sara com seus noventa anos? Disse Abraão a Deus: Tomara que viva Ismael diante de ti. Deus lhe respondeu: De fato, Sara, tua mulher, te dará um filho, e lhe chamarás Isaque; estabelecerei com ele a minha aliança, aliança perpétua para a sua descendência" (Gn 17.17-19).

Ao gerar um filho de Agar, Abraão imaginou que tinha resolvido sua necessidade de um descendente. Deus, porém, se manteve fiel à Sara. O patriarca descobriu a abrangência do pacto que Deus parecia ter feito só com ele.

"Vendo o Senhor que Lia era desprezada, fê-la fecunda; ao passo que Raquel era estéril" (Gn 29.31).

Apesar de ter sido envergonhada pelo pai e desprezada pelo marido, Deus honrou Lia: Jesus é filho de Judá, seu filho. O mesmo se pode dizer de Tamar, injustiçada pelo povo (Gn 38.24-26); de Raabe, tratada como objetivo (Js 2. 1-6); de Bate-Seba, violada pelo rei (2Sm 11.1-5); e de Rute, marcada pela viuvez (Rt 1.1-17). Essas, entre outras, foram mulheres honradas por Deus e resgatadas da condição humilhante a que foram submetidas.

A lei de Deus protegia a mulheres

"Se irmãos morarem juntos, e um deles morrer sem filhos, então, a mulher do que morreu não se casará com outro estranho, fora da família; seu cunhado a tomará, e a receberá por mulher, e exercerá para com ela a obrigação de cunhado" (Dt 25.5).

Este é um dos exemplos de proteção à mulher, de modo que ela não deveria ficar só, desamparada e exposta como fruto da viuvez.

A submissão é mútua

"E não vos embriagueis com vinho, no qual há dissolução, mas enchei-vos do Espírito, falando entre vós com salmos, entoando e louvando de coração ao Senhor com hinos e cânticos espirituais, dando sempre graças por tudo a nosso Deus e Pai, em nome de nosso Senhor Jesus Cristo, sujeitando-vos uns aos outros no temor de Cristo" (Ef 5.18-21).

Paulo ensina a igreja local a ser cheia do Espírito, o que depende da forma como falamos entre nós, da nossa gratidão a Deus e da nossa sujeição mútua na comunidade local e nos demais relacionamentos. Então, ele mostra como funciona a sujeição mútua em outros relacionamentos (Ef 5.22–6.9):

• A esposa se submete ao marido reconhecendo-lhe a liderança no lar;

• O marido se submete à esposa amando-a ao sacrifício;

• Os filhos se submetem aos pais pela obediência;

• Os pais se submetem aos filhos respeitando-os pela não-irritação;

• Os funcionários se submetem aos patrões pela prestação de serviço excelente, como se o fosse para Cristo;

• Os patrões se submetem aos funcionários, pelo trato justo e digno em todos os sentidos.

Assim, nos deixamos encher pelo Espírito Santo! Liderar não é subjugar, nem decidir sozinho. É papel da igreja local desenvolver, a partir de suas famílias, um ambiente de respeito e proteção à mulher, que atinja a toda a sociedade.

• Ariovaldo Ramos é autor desse artigo e pastor na Comunidade Cristã Reformada e na Igreja Batista de Água Branca, ambas em São Paulo.

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