Matamorfose Eclesiástica

Matamorfose Eclesiástica

Fonte: Atualizado: sábado, 29 de março de 2014 03:32

Mt 13.31,32 - "Outra parábola lhes propôs, dizendo: O reino dos céus é semelhante a um grão de mostarda, que um homem tomou e plantou no seu campo; o qual é, na verdade, a menor de todas as sementes, e, crescida, é maior do que as hortaliças, e se faz árvore, de modo que as aves do céu vêm aninhar-se nos seus ramos".

Na realidade, o grão de mostarda não era a menor de todas as sementes, pois há outras, como a semente da salsa, que são indubitavelmente menores. Era usada na balança como a menor medida de peso possível. Havia a possibilidade de negociar ouro, por exemplo, no peso de um grão de mostarda (Leia mais em Jo 21.8).

Algumas espécies da região cresciam a ponto de se transformarem em uma árvore, o que é considerado, por alguns, como uma anomalia, uma mutação. Seguindo esta linha de raciocínio, teríamos uma hortaliça se transformando em árvore, e usada para ilustrar uma séria mudança de natureza e propósito.

Esta interpretação ganha peso se considerarmos que ao mencionar as aves do céu, a Bíblia geralmente descreve aves de rapina. A Igreja, que antes tinha peso de hortaliça, ganhou corpo e passou por uma metamorfose que a transformou em uma instituição que procura ter peso político através de alianças questionáveis. Nesta árvore pousaram aves que transformaram almas em moeda de troca.

Algumas destas novas espécies encontraram ambiente favorável a sua preservação e utilizam o fortalecimento de seu galho como trunfo e barganha política. Usam a sua oratória e o seu canto para manipular, enriquecer e se promover. O que deveria ser capacitação para o serviço a favor dos santos, se transformou em arma de sedução. Onde deveria se abrigar o colibri, pousou o urubu. O crescimento não é ruim, mas no momento, não estamos preparados para ele.

Talvez esta geração ainda veja crescimento transformado em avivamento. Não se sabe se ocorrerá uma mutação retroativa ou uma queimada geral da terra para o plantio de algo novo. Se eu fosse você, apostaria na segunda opção, pois a reforma do que está condenado é um empreendimento que nunca deu certo (Veja Ap 18). O Dia de Cristo está chegando, e não dá para perder tempo fazendo pintura nova em parede velha. Talvez a nossa geração possa voar para os ramos da hortaliça original, e fazer um pouso seguro para a sua alma (Mais informação em 1Co 5.6).

Pense nisto: Vamos pintar paredes velhas ou construir novas?

Mt 13.33- Disse-lhes outra parábola: "O reino dos céus é semelhante ao fermento que uma mulher tomou e escondeu em três medidas de farinha, até ficar tudo levedado".

Neste capítulo está guardada a chave para entendermos o momento atual da Igreja. O fermento sempre foi considerado um elemento liturgicamente impuro. Vetado durante o ritual da primeira páscoa e considerado como o principal componente da fórmula religiosa manipulada pelos fariseus. Paulo recomendou que fosse eliminado o fermento da maldade. Agora, ele é colocado aqui como um agente modificador, que ao ser acrescentado à receita da fé, muda seu formato, seu gosto e sua aparência, mas não acrescenta conteúdo, valor ou nutritiente. Esta é a forma como a igreja se apresenta hoje, uma broa formada como resultado da manipulação feita pelo dono de uma padaria concorrente. Se você tem olhos capazes de ver, olhe (Mc 8.15-18).  

Ubirajara Crespo é pastor, escritor, conferencista, editor e diretor da Editora Naós.

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