A unção da trombada

A unção da trombada

Fonte: Atualizado: sábado, 29 de março de 2014 03:24

Lc 6.41,42: Por que vês tu o argueiro no olho de teu irmão, porém não reparas na trave que está no teu próprio? Como poderás dizer a teu irmão: Deixa, irmão, que eu tire o argueiro do teu olho, não vendo tu mesmo a trave que está no teu? Hipócrita, tira primeiro a trave do teu olho e, então, verás clara...mente para tirar o argueiro que está no olho de teu irmão.

Nossa percepção do erro dos outros é simplesmente extraordinária. A verdade é que quanto mais falamos das fraquezas alheias, menos pesadas e graves parecem as nossas falhas. Geralmente somos mais intransigentes com os erros do outro do que com os nossos.

Não me lembro de ter falado de meus erros de forma tão específica, convincente e pública quanto falo sobre os erros alheios. Sem dúvida alguma a fofoca é um analgésico capaz de aliviar a minha consciência. Biblicamente falando, o uso deste o remédio pode até provocar um alívio passageiro, mas nos manterá longe de uma cura definitiva. Quanto maior for a dor e o sentimento de perda, maior será o nosso investimento na pesquisa do remédio que cura.

A intriga é um vício que tende a aumentar, fenômeno que ocorre com qualquer outro vício. Uma picadinha aqui, outra ali, mais uma acolá, e de repente aquilo passa a ser uma necessidade quase orgânica. Uma forma destrutiva de fugir da realidade que envolve a destruição da reputação alheia e da minha condição de ser humano.

Jesus nos ensinou a andar na contramão dos sistemas humanos. Segundo Ele, ao comparar meus pecados com os dos outros devo cultivar a sensação de que minhas pálpebras carregam um poste. Fato que provoca uma incrível distorção visual.

Esta autopercepção exige concentração, cuidados e esforços extremos para resolver o meu problema. Afinal, o olho é uma área tão sensível, que um simples cisco pode levar o motorista a colidir com um poste. Imagine, então, se durante esta colisão, este mesmo poste entrasse por inteiro no seu olho. O cisco do outro só precisa de um soprinho, enquanto que o meu poste precisa do guindaste, do Munk, do Corpo de Bombeiros, do Resgate, da Defesa Civil, do encanador, da broca, do bisturi e de outras coisas mais. É melhor se for tudo sem anestesia. Afinal, pecado que não dói não é confessado.

Se eu for capaz de tratar do meu pecado sob esta perspectiva, posso olhar de forma mais misericordiosa para o pecado do irmão. Posso e devo olhar, porque a misericórdia, exige alguma dose de percepção mas isto é matéria ligada a outro texto bíblico.

Quero apenas concluir dizendo que já recebi a unção da multiplicação, da alegria, da cura, do sucesso, do discernimento, da ousadia, da sobrenaturalidade, entre outras, mas nenhuma delas me ajudou tanto como a UNÇÃO DA TROMBADA NO POSTE. Troco todas elas por esta.

Ubirajara Crespo   é pastor, escritor, conferencista, editor e diretor da Editora Naós.

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