Os cristãos e a delegacia de crimes de intolerância criada pelo governo de SP

Dentro do âmbito do culto, cada crença deve exercer sua liberdade de forma ampla e irrestrita.

Fonte: Guiame, Patrícia AlonsoAtualizado: segunda-feira, 30 de agosto de 2021 17:05
Símbolos cristãos, católicos e evangélicos, são frequentemente vilipendiados. (Foto: Aurelio Alves / O POVO)
Símbolos cristãos, católicos e evangélicos, são frequentemente vilipendiados. (Foto: Aurelio Alves / O POVO)

O Governo de SP teve uma excelente iniciativa, divulgada no dia 26/08/2021. A criação de uma delegacia voltada ao combate de discriminação e intolerância por motivações ideológicas, religiosas, culturais, étnico-raciais e identidade de gênero.

Quando vemos este tipo de notícia, a impressão que temos é que o amparo legal servirá para uma minoria apenas, mas quero informar ao caro leitor, que é para todos, incluindo os segmentos cristãos que já há muitos anos têm servido de escárnio por alguns grupos que não respeitam os dogmas religiosos.

Sim, aqueles atos que apresentados em manifestações quebrando santos, esfregando cruzes nas genitálias, ou ainda mulheres tripudiando a figura católica da ‘Virgem Maria’, ou, ainda, muitas vezes, igrejas abertas realizando culto e sendo escarnecidas por grupos que passam gritando ‘o sangue de Jesus tem poder’...

E mais: quem já não teve o desconforto de, na hora do culto, o vizinho da igreja colocar o som de um “axé” ou um “forró” tão somente para perturbar.

Pois bem, agora, o Governo Doria terá muito trabalho a fazer, pois a grande maioria cristã, por muito tempo, foi criada para dar a ‘outra face e perdoar’ os escárnios que se faziam com o cristianismo, mas dentro das quatro linhas da Constituição, TODOS SÃO IGUAIS PERANTE A LEI.

Dentro do âmbito do culto, cada crença deve exercer sua liberdade de forma ampla e irrestrita, não podendo sofrer absolutamente nenhuma violação, sob pena de responder por crime previsto no Art. 208 do Código Penal.

Vivemos em um país laico e dentro dos cultos cristãos devemos continuar pregando o que a Bíblia nos ensina a pregar, seguiremos adiante obedecendo o que o Mestre Jesus nos ensinou e, agora mais do que nunca, fazendo valer nossos direitos Constitucionais de liberdade de culto, de religião, de fé.

Até porque, a história nos mostra que, na IDADE MÉDIA, a Igreja Cristã (na época) era sucursal do VATICANO, ou seja, cada igreja, independentemente do país em que se encontrava, era uma “Embaixada do Vaticano”, por isso a divisão bem definida entre Estado e Igreja.

Com o PROTESTANTISMO, e com a Constituição de 1988, a ideia foi estendida ao segmento evangélico. Nós temos nossas próprias leis, regras e práticas e não confundimos com as orientações do Estado. Assim, dentro das quatro paredes da Igreja, o Estado não tem ingerência sobre o que pregamos, o que arrecadamos, nossos trabalhos sociais, enfim, a igreja é uma ‘Embaixada do Reino de Deus’ dentro de cada cidade, estado e país. 

Portanto, na MEDIDA que criam esses mecanismos para coibir a discriminação e a intolerância religiosa – inclusive a étnico racial – conseguimos proteger, por exemplo, irmãos da denominação Assembleia de Deus, onde a maior parte de seus membros são de origem afrodescendentes e que, por muitos anos, foram motivos de escárnios pela sua forma de orar, cantar e até mesmo cultuar.

Quem não se lembra daquele quadro humorístico de Chico Anísio “Tim Tones”?

Pois é, agora, em tempos de intolerância, este tipo de humor será inaceitável, e passível de representação criminal. Afinal, a mesma lei que bate em Chico, bate em Francisco.

E salve-se quem puder!

Por Patrícia Regina Alonso, mãe, advogada há 20 anos, teóloga, musicista formada pelo Conservatório Musical Ernesto Nazareth. Suplente de Vereador em São Paulo - Capital. Foi capelã do Hospital das Clínicas de São Paulo. É membro da Igreja Presbiteriana do Brasil. Escritora do Livro “Alienação Parental o Lado obscuro da Justiça Brasileira” e colaborou no livro “A invisibilidade de crianças e mulheres vítimas da perversidade da Lei da Alienação Parental”.

* O conteúdo do texto acima é de colaboração voluntária, seu teor é de total responsabilidade do autor e não reflete necessariamente a opinião do Portal Guiame.

Leia o artigo anterior: Quando a justa Justiça se torna torta

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