Fenômenos culturais impostos e a desconstrução da fé humana

Dizem que o capitalismo interfere nas culturas. Acredito que sim. Porém, não mais que o comunismo / e ou socialismo, que em nome de um direito social, muda esta cultura conforme seus interesses, impondo sua forma de governar e pensar.

Fonte: Guiame, Marisa LoboAtualizado: sexta-feira, 15 de setembro de 2017 14:36

É evidente que as formações culturais das sociedades até então existentes são a base para o comportamento de seus membros, e para o seu desenvolver histórico. Dentre tais aspectos culturais, o homem é fortemente influenciado pelo mítico, pelo sobrenatural, desde as mais primitivas formas vistas em períodos anteriores à escrita, passando pelo politeísmo clássico e chegando às crenças religiosas atuais.

Esses fenômenos de quebra de paradigmas culturais têm interferido nas culturas que têm como base, tradições religiosas, promovendo uma reorientação nem sempre aceita. Isto gera grandes conflitos na humanidade, pois tende, quando relativizada, a interferir no plano espiritual das religiões e como mostra a tradição religiosa durante todo o desenvolvimento da humanidade, existem princípios imutáveis em cada fé, pois são espirituais e são tratados com a rigidez necessária para se garantir a liberdade religiosa. Parece paradoxal, porém é verdadeiro.

Ninguém sai ileso da influência de outra cultura e por causa da globalização - potencializada pelas mídias e tecnologias - o capitalismo tornou-se algo impossível de se escapar. O ser humano é influenciável por natureza - que não significa que esta influência seja saudável - mas esse processo midiático influencia e muitas vezes aliena o sujeito.

Dizem que o capitalismo interfere nas culturas. Acredito que sim. Porém, não mais que o comunismo / e ou socialismo, que em nome de um direito social, muda esta cultura conforme seus interesses, impondo sua forma de governar e pensar. O que parece então, ser uma "luta por direitos", uma "revolução do bem estar social", acaba se tornando uma prisão alienadora. Cria-se uma subcultura que diz respeitar as diferenças, quando nas entrelinhas, aprisiona o sujeito a uma falsa igualdade e liberdade, na realidade “vigiada”, servindo apenas aos interesses políticos, que usam essas lutas como manobra politica.

As religiões estão sendo moldadas por essa cultura inventada, que não faz parte da história e sim de uma desconstrução da história da humanidade, levando uma nação inteira a beirar a esquizofrenia social, escravizada por essa cultura, que de fato desconstrói as tradições e religiões em nome dessa falsa 'liberdade'.

O ser humano é presa fácil, pois vive uma busca da felicidade, que para a grande maioria do planeta é encontrada na Fé. Porém, para essa cultura ateísta, a felicidade só se encontra no prazer em si mesmo. Essa é a nova cultura mundial, que está implantando de fato o relativismo sexual e social, onde o prazer é mais importante que a vida, o bem físico e mental; onde o fator espiritual não é apenas desrespeitado, mas também negligenciado.

Estamos sem referências, presos a influência da cultura imposta pela mídia. 'Coisificaram' a sociedade e a cultura. A mistura demasiada de culturas provoca uma desconstrução cultural.

Neste conflito todo, o ser humano está caindo em um vazio existencial e a sociedade, então perde a noção de pertencimento, ou seja, estamos diante de uma sociedade, uma nação que está prestes a perder a sua identidade.

A contracultura muitas vezes nos causa um choque cultural e até certo preconceito, mas não podemos interferir na cultura do outro. Esta é a regra do relativismo cultural, porém quando esta cultura está na contramão dos Direitos Humanos, de certa forma nos causa indignação e grupos se levantam para estabelecer um equilíbrio cultural e humano. Aqui podemos citar como exemplo, o infanticídio indígena, que por causa de uma cultura, condena as crianças à morte, contrariando a própria Declaração dos Direitos Humanos.

Nada pode ferir o direito do cidadão de ir e vir, nem mesmo sua cultura, porém sabemos dessa dificuldade em interferir, pois os próprios ativistas de Direitos Humanos acabam protegendo, de certa forma, essa cultura. Há um conflito claro entre direitos universais e direitos individuais.

O embate e a mobilidade cultural são fatores que esculpem as sociedades. Tal fenômeno não poderia ser diferente com o socialismo ou até mesmo com o comunismo, que "luta por igualdade", aprisionando o sujeito à sua cultura, que nem sempre coloca a vida humana como premissa.

*Referências

"A ética protestante e o espírito do capitalismo" - Max Weber (1864-1920)

Texto: Fundamentos sociológicos dos direitos Humanos


Marisa Lobo
é Psicóloga, pós-graduada em Filosofia de direitos humanos, saúde mental. Tem habilitação para Magistério Superior. Estagiou a convite do Governo Americano, no Mont Sinai Hospital em New York na divisão internacional de atenção primária a saúde. Consultora em políticas públicas sobre drogas. Coordenadora nacional da campanha "Maconha não". Tem curso de prevenção e enfrentamento DSTs/AIDS. Cedars-Sinai Medical Center, CEDARS-SINAI, Estados Unidos. Coordenadora nacional do movimento Pró Mulher, participando ativamente de campanhas Pró Vida, palestrando em audiências públicas em todo território nacional em favor da vida, da infância contra a erotização infantil . Pesquisadora de gênero com duas obras publicadas sobre o tema. Teóloga, missionária conferencista na área da sexualidade da família. Obras publicadas até este ano de 2017( Por que as pessoas mentem, psicopatas da fé, Ideologia de gênero na educação, Famílias em perigo. Articulista de jornais e sites, coordenada seminários e curso livres sobre drogas e ideologia de gênero, educação infantil, e saúde mental para lideranças em todo Brasil. Casada com Jofran Alves, tem 2 filhos e congrega na Igreja Batista do Bacacheri do Paraná. Site: www.marisalobo.com.br 

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