A Bíblia deve ser a imagem ou os óculos no olhar do artista?

A Bíblia deve ser a imagem ou os óculos no olhar do artista?

Fonte: Atualizado: sábado, 29 de março de 2014 03:24

Tenho pensado muito sobre o trabalho de artistas que são também cristãos e tenho visto uma grande diferença entre eles, não só na qualidade, onde oscilam entre divino e bestial de uma forma muito rápida, mas também no que se refere à relação da arte com a bíblia.

Todos os artistas cristãos se encontram, mais cedo ou mais tarde, em uma encruzilhada em sua arte, um conflito hermenêutico moderno. Sejam os numerosos maestros e compositores, os poucos escritores e diretores de peças e filmes e até mesmo os pintores e os extintos escultores os profanados por nós protestantes.

Todos, sem exceção, na hora de fazerem sua arte se deparam com a grande questão: a bíblia, a palavra de Deus, a qual tem a revelação que pode transformar o mundo, é a imagem final ou os óculos no olhar do artista?

Por muito tempo entendemos que a bíblia é a fonte das coisas que devemos produzir, pois ela é a palavra de Deus e nela contém o que precisamos para viver. Podemos dizer que ela possui a verdadeira inspiração para a arte. Por isso, se queremos produzir algo que reflita a vida que há em nós, devemos produzir o que nela contém. O tempo e a distância entre nós e a bíblia é absorvido por um óculos chamado contextualização, que traduz para os nossos dias e torna palpável para os que se defrontam com este tipo de arte.

Parece que todo artista, principalmente cristão, não quer fazer arte pela arte, mas arte para a vida. Ou seja, o artista com esta visão de hermenêutica, cria a sua arte, bela ou não, a partir da fonte (imagem) chamada Bíblia e coloca seu talento, suas verdades, seu contexto como óculos para facilitar o entendimento das pessoas a respeito de sua arte.

Este tipo de ordem hermenêutica tem sido aceita por anos pelos pregadores. Eles estudam a imagem (o texto) e com os óculos modernos interpretam para o povo a palavra. Porém, é preciso lembrar que eles não estão fazendo arte, pelo menos o que se entendia como pregação.

Mas com a queda do teocentrismo e a valorização do indivíduo e da sua cultura, outra visão de hermenêutica tem ganhado campo entre os artistas cristãos, onde a fonte (imagem) da arte a ser lida e retirada é o ser humano com sua cultura, seu cotidiano e o meio onde vive. Arte se tira desta figura, pois ela é real e está mais palpável para todos. Mas e a bíblia, com a sua fonte de vida, onde fica? Ela serve como os óculos da interpretação artística, ela é a julgadora de valores e de vida da figura. Com ela podemos extrair o belo, a vida de praticamente tudo ao nosso redor, pois só passa pelas lentes o que é vida.

Desta forma, toda sociedade, tudo que é cotidiano, comum, pode ser transformado em arte que gera vida. As músicas, as histórias, os quadros e imagens podem ser imagens do homem no olhar de Deus.

Estes dois caminhos são totalmente diferentes, mesmo que a finalidade da arte seja a mesma, a de gerar vida, o caminho traçado é outro. A mesma diferença entre arte cristã e arte feita por cristãos, revelação geral é a fonte e revelação especial a lente julgadora (ou vice versa).

Qual das duas valoriza ou defrauda a bíblia? Qual delas a coloca como a única fonte de inspiração e qual a coloca como o único valor de medida para as inspirações e artes humanas?

Essas são respostas que cada artista deve trazer ao seu coração antes de escolher qual caminho traçar, se é que ele já entendeu que o final deve ser o mesmo, gerar vida com a sua arte.

Marcos Botelho   é pós-graduado em Teologia Urbana, Missionário do Jovens da Verdade, SEPAL. Professor da FLAM - Faculdade Latino Americana de Missões e responsável pelo Terra dos Palhaços Brasil

www.marcosbotelho.com.br www.jvnaestrada.com

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