Eu, você, Demóstenes e Cachoeira

Eu, você, Demóstenes e Cachoeira

Fonte: Atualizado: sábado, 31 de maio de 2014 09:12

Eu, você, Demóstenes e Cachoeira… Talvez você proteste veementemente e brade: “Não me conte entre os tais!” Mas, o que eu, você, Demóstenes e Cachoeira temos em comum? Muitas coisas, é claro, mas o vínculo mais fundamental que nos associa aos dois é o fato de pertencermos à grande família adâmica. Temos uma herança comum.

Desde o Éden temos tido muita dificuldade em admitir nossas faltas, de assumir a nossa parcela de responsabilidade quando as coisas saem errado por escolha, descuido ou dolo. Sempre tentaremos nos justificar, e neste processo, para a nossa mais profunda vergonha, recorreremos aos recursos mais desprezíveis que se possa imaginar.

É compreensível que façamos nossa defesa negando, dissimulando, comprando testemunhas, forjando provas… afinal a alma é mesmo corrupta e enganoso o coração. A defesa, o argumento questionável da justificativa, todas estas coisas fazem parte do repertório de mecanismos que utilizamos para preservar nosso couro.

Foi-me bastante difícil e também lamentoso ouvir do Senador Demóstenes Torres que não sabia das articulações criminosas de seu associado, talvez a essas alturas já não tão amigo, Cachoeira! Parece que esta é a moda em Brasília: Negue de pé junto até o fim que a gente vai tentar tirar você desta!

O Lula não sabia de nada do que acontecia bem debaixo de suas barbas. Maluf nega até hoje serem suas as assinaturas que comprovam seus crimes por lavagem de dinheiro. O único caso conhecido de um mea culpa em rede nacional ocorrido algum tempo atrás nos levou a acreditar que estávamos fazemos progresso. Para nossa tristeza, o moço que foi à tribuna reconhecer seu erro em lágrimas, pouco tempo depois voltaria a protagonizar outro capítulo desse faroeste caboclo atuando na contramão da lei.

Cachoeira por sua vez está tranquilo. Ladeado pelo advogado mais badalado da república, teve o atrevimento de sorrir diante de uma CPI que, queira Deus, não termine em pizza como tantas outras. O cinismo, esse mecanismo odiável, é também uma forma de escamotear a culpa e tentar dar sustentação ao status quo.

Apesar de tudo isto, não devemos demonizar Demóstenes nem Cachoeira. Ainda que alguns possam se considerar referência para o norteamento da ética, como eles, somos todos filhos de Adão. O apóstolo Paulo disse, que a única esperança de escape dessa realidade pantanosa em que existimos é Cristo em nós. De outro modo estaríamos tão perdidos quanto eles. É bom lembrar, portanto, que ainda que estejam assim “tão” perdidos, podem ser “achados” a qualquer momento, bastando que um raio de luz daqueles que atingiu a Saulo De Tarso os atinja também. Pronto. Nos chamarão de irmãos!

 

por Luiz Leite

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