
Eguinaldo Hélio de Souza é pastor, professor de diversas matérias teológicas, jornalista, apologista, autor de mais de 15 livros. Casado com Lídia Hamon de Souza, pai de Charles e Rebecca e avô da Catarina.

Assim, porque és morno, e não és frio nem quente, vomitar-te-ei da minha boca. (Apocalipse 3.16)
A neutralidade é vendida como o remédio para toda sorte de males. Quem a recusa, está fomentando a polarização. Quem a abraça é verdadeiro amigo da paz. É a utopia da imobilidade, a panaceia dos “em cima do muro”, a sabedoria dos indiferentes. Mas não funciona.
Diante de um Hitler, pacifismos ingênuos são acomodações maldosas que alimentam a voracidade do destruidor. Seus profetas “falam de flores vencendo o canhão”. Exortam as ovelhas a comungar com o lobo. Pedem um beijo na serpente que supostamente neutralizaria seu veneno. Ilusão.
Flannery O’Connor escreveu que “temos que empurrar a nossa época com a mesma força com que ela nos empurra”. Eu diria que com uma força ainda maior, se queremos que o atacante recue. Por isso a ideia de que o pacifismo sempre pacifica o atacante é na grande maioria das vezes falsa, pois ao invés de acalmar o atacante ela prejudica o atacado.
O mal nunca foi vencido pela neutralidade. Só pode ser vencido por uma força oposta com intensidade maior. Os pacifistas, os “equilibrados”, os “sensatos”, medem os outros com a mesma régua que medem a si mesmos.
Eles não querem ferir ninguém e acham que seu inimigo também não. Eles respeitam as regras e acham que seus adversários também respeitam. Eles não entendem o significado da palavra “mal”. Quando alguém é mal, essa maldade se manifesta como engano, perfídia, desonestidade, truculência e inúmeros outros adjetivos negativos. O mal não apenas faz o mal. Ele o disfarça de bem.
Ingenuidade nunca foi marca de Cristo. Em sua bondade divina e infinita, ele sempre foi capaz de identificar o mal e confrontá-lo.
Naquele mesmo dia chegaram uns fariseus, dizendo-lhe: Sai, e retira-te daqui, porque Herodes quer matar-te. E respondeu-lhes: Ide, e dizei àquela raposa: Eis que eu expulso demônios, e efetuo curas, hoje e amanhã, e no terceiro dia sou consumado. Importa, porém, caminhar hoje, e amanhã, e no dia seguinte, para que não suceda que morra um profeta fora de Jerusalém (Lucas 13.31-33)
Todavia, a mente moderna não é mais capaz de reconhecer a existência do certo e do errado, do bem e do mal, da luz e das trevas. (Isaías 5.20). Acreditam que tudo se trata apenas de pontos de vista diferentes. Evitam até mesmo demonizar o próprio demônio. Os padrões que nos norteavam estão em ruínas.
A realidade nos obriga a escolher nosso lado e a assumir as consequências da nossa escolha. E cale-se aqueles que dizem que dessa forma estamos fomentando o conflito, como se todos fossem Madres Teresas suando boa vontade pelos poros. Sabemos que jamais estaremos diante da escolha do mal pleno ou bem supremo nesta terra de pecadores. Mas sabemos que há degraus e níveis que precisamos discernir. Do contrário, se a tudo igualarmos e a tudo equivalermos, colocaremos sobre nós mesmos os nossos destruidores.
Se há algo necessário para nossa sobrevivência, é distinguir o mal e rejeitá-lo.
Há muito querem nos fazer acreditar que errado e mal é quem acredita no mal e no erro. Todavia, o errado e o mal são realidades concretas e discursos bem formulados não têm poder para suprimir a dor na carne que eles provocam.
O bem e o certo precisam ser fortes e firmes se querem garantir sua existência. Fraqueza não é sinônimo de bondade e ser neutro não significa estar certo. Já temos informações históricas e filosóficas suficiente para entender o que as ideologias dominantes são, querem e podem fazer.
Tomar posição não é radicalizar. É entender a realidade com as lentes das Escrituras. Neutralidade é simplesmente o discurso utilizado por um lado para neutralizar o outro.
Os céus e a terra tomo hoje por testemunha contra vós, de que tenho te proposto a vida e a morte, a bênção e a maldição. Escolhe, pois, a vida para que vivas. (Deuteronômio 30)
Eguinaldo Hélio de Souza (@eguinaldohelio) é pastor, professor de diversas matérias teológicas, jornalista, apologista, autor de mais de 15 livros. Casado com Lídia Hamon de Souza, pai de Charles e Rebecca e avô da Catarina.
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