Quem não vai por amor, vai pela dor?

Ditados populares & Jargões evangélicos

Fonte: Guiame, Cris BeloniAtualizado: segunda-feira, 30 de agosto de 2021 18:54
(Foto: Canva)
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Não existe um contexto bíblico, neste caso, já que se trata de mais um jargão evangélico muito conhecido entre os cristãos. Vamos entender o que as pessoas querem dizer com essas palavras.

Uma pesquisa foi realizada e, de acordo com a maioria das respostas “aquele que resiste a Deus no dia bom, fatalmente irá buscá-lo no dia mau, em busca de socorro”.

Alguns entendem que “Deus dá um aperto para que a pessoa entenda o plano de salvação”. E outros, acreditam que se não houver uma “rendição voluntária”, a pessoa acaba sendo obrigada a procurar Deus por conta das circunstâncias negativas. Será que é assim mesmo?

A dor seria um tipo de atração entre o ser humano e Deus?

Em primeiro lugar, entenda que “dor” é uma palavra que resume várias situações: de perda, por exemplo, doença, fracasso, humilhação e ainda vários tipos de dificuldades. Quando o ser humano passa pelo sofrimento, a sensibilidade aumenta e isso abre espaço para o lado espiritual.

A dor é um fator que tira das nossas mãos o controle, de forma que nos vemos obrigados a pedir ajuda, a buscar consolo e a nos enxergar de verdade. Quando reconhecemos que não somos autossuficientes e nem independentes, o orgulho se quebra dando lugar à humildade.

Essa situação de vulnerabilidade também gera um tipo de dor, mas é o caminho que nos leva a reconhecer que existe um Criador e que nós dependemos totalmente Dele.

A humildade é como uma luz

Quando o ser humano se converte do orgulho para a humildade, ele passa a ver o que nunca via antes. É como se a mente fosse iluminada pelo entendimento.

Tente se lembrar de alguma situação em que o orgulho dominou você. Normalmente, pessoas orgulhosas são arrogantes, se acham donas da razão e acabam ferindo os que estão ao seu redor.

O orgulho faz com que uma pessoa pense que o poder vem dela, e a humildade a faz reconhecer que Deus é o Todo-Poderoso.

Enxergando essa realidade, a tendência é que as pessoas orgulhosas se arrependam de seus feitos. É claro que a situação não é confortável, mas é libertadora. O arrependimento está ligado à tristeza. Mas veja o que a Bíblia diz sobre isso:

“A tristeza segundo Deus produz um arrependimento que leva à salvação e não remorso, mas a tristeza segundo o mundo produz morte”. (2 Coríntios 7.9)

Perceba que a dor que leva alguém a buscar a Deus, torna as coisas mais leves. Foi por isso que Jesus disse:

"Venham a mim, todos os que estão cansados e sobrecarregados, e eu lhes darei descanso. Tomem sobre vocês o meu jugo e aprendam de mim, pois sou manso e humilde de coração, e vocês encontrarão descanso para as suas almas. Pois o meu jugo é suave e o meu fardo é leve.” (Mateus 11.28-30)

Uma dor que se transforma em amor

A frase que diz “quem não vai por amor, vai pela dor” não está na Bíblia, mas precisa da Bíblia para ser compreendida claramente.

Deus não usa a dor para obrigar as pessoas a se aproximarem Dele. Ele não usa de força ou violência, ao contrário, Ele nos deu o livre arbítrio para escolhermos o caminho que queremos seguir.

Se durante o nosso percurso encontrarmos dor, precisamos reconhecer que é algo comum neste mundo em que vivemos. Muitas pessoas vão partir de nossas vidas, e algumas vão muito cedo.

Doenças poderão atingir quem amamos ou a nós mesmos. Problemas difíceis de resolver vão aparecer. Só o que podemos fazer diante de tudo isso é aceitar cada situação e aprender com ela.

Sofremos mais quando idealizamos um mundo perfeito e maravilhoso, onde tudo sempre tem que dar certo e nós nunca iremos sofrer. Esse cenário simplesmente não existe. Jesus já havia feito esse alerta para os que estavam vivendo naquele tempo e aos que ainda iriam nascer.

“Neste mundo vocês terão aflições; contudo, tenham ânimo! Eu venci o mundo.” (João 16.33)

Significado de aflição

A dor e o sofrimento são aflições, ou seja, situações que nos deixam “aflitos”. Você sabe qual é o significado da palavra “aflição”? O dicionário diz que é um “sentimento persistente de dor física ou moral; angústia, desgosto, inquietação, ansiedade e tormento”.

A palavra proferida por Jesus, do original grego (thlipsis) significa “ato de prensar”, o que nos leva ao ato de “pressionar com muita força”. O hebraísta Luiz Sayão explica que essa palavra pode ter a ideia de “perseguição” ou ainda “pressão externa pelas circunstâncias”.

Nesse sentido, veja que interessante o que a Bíblia diz:

“O justo passa por muitas aflições, mas o Senhor o livra de todas; protege todos os seus ossos; nenhum deles será quebrado.” (Salmos 34.19-20)

Ou seja, enfrentaremos muitas dores e sofrimentos, seremos muito pressionados, mas também seremos protegidos por Deus. Passaremos por muitas situações difíceis, mas não estaremos sozinhos.

Você percebe que existe amor mesmo quando você sente dor?

Em nenhum versículo bíblico encontramos que aquele que decide andar com Deus estará livre de todos os problemas e sofrimentos. Aliás, o propósito da Bíblia não tem o foco no nosso bem estar, mas na nossa salvação.

Alguns alcançam essa dádiva através do amor, e outros, através da dor. Isso depende do caminho de cada um e das escolhas feitas ao longo do tempo. Na Bíblia vamos encontrar muitas histórias assim. Muitos chegaram até Deus por amor, mas foram modelados na dor.

Conclusão

Quando você ouvir essa frase novamente, não a associe a uma ameaça, mas a uma realidade comum de dias bons e maus, tempos de alegria e tristeza, saúde e doença, vida e morte.

O momento de ter um encontro com Deus é uma questão de livre arbítrio. Ele estará sempre nos esperando, de braços abertos. Ele é o nosso Pai, nós somos seus filhos. Ele está na eternidade, mas nós dependemos do tempo. Então, o dia e a hora só dependem da nossa decisão.

Esteja você agora onde estiver, no amor ou na dor, se achar que é tempo de entregar a sua vida para Deus e de conhecer seu filho Jesus, não perca essa oportunidade.

“Pois todo o que pede, recebe; o que busca, encontra; e àquele que bate, a porta será aberta.” (Mateus 7.8)

Por Cris Beloni, jornalista cristã, pesquisadora e escritora. Lidera o Movimento Bíblia Investigada e ajuda as pessoas no entendimento bíblico para a ativação de seus dons. Trabalha com missões transculturais, Igreja Perseguida, teorias científicas, escatologia e análise de textos bíblicos.

* O conteúdo do texto acima é de total responsabilidade do autor e não reflete necessariamente a opinião do Portal Guiame.

Colaborou com este estudo o pastor e hebraísta Luiz Sayão.

Leia o artigo anterior: Será que devemos abandonar a família para seguir a Cristo?

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