Alimentado por corvos: a Bíblia diz que Deus realizou o extraordinário para sustentar Elias

Design Inteligente — Aves

Fonte: Guiame, Cris BeloniAtualizado: quinta-feira, 25 de novembro de 2021 11:45
Corvo com pão no bico. (Foto: Canva)
Corvo com pão no bico. (Foto: Canva)

“Pergunte, porém, aos animais, e eles o ensinarão, ou às aves do céu, e elas lhe contarão; fale com a terra, e ela o instruirá, deixe que os peixes do mar o informem. Quem de todos eles ignora que a mão do Senhor fez isso? Em sua mão está a vida de cada criatura e o fôlego de toda a humanidade.” (Jó 12.7-10)

Reconhecendo que Deus é o Criador de tudo o que vemos ao nosso redor, podemos identificar em cada ser criado a Sua assinatura. Há sabedoria em todas as coisas e vestígios de uma mente inteligente em cada detalhe. Nesta série, vamos analisar a inteligência presente nas aves do céu.

“A palavra do Senhor veio a Elias: Saia daqui, vá para o leste e esconda-se perto do riacho de Querite, a leste do Jordão. Você beberá do riacho, e dei ordens aos corvos para o alimentarem lá.” (1 Reis 17.2-4)

“E ele fez o que o Senhor lhe tinha dito. Foi para o riacho de Querite, a leste do Jordão, e ficou por lá. Os corvos lhe traziam pão e carne de manhã e de tarde, e ele bebia água do riacho.” (1 Reis 17.5-6)

O que nos chama atenção nesse texto é o fato de um corvo alimentar um ser humano. Estamos diante de um texto literal ou simbólico?

Vamos ao contexto

Sabemos que os dois livros de Reis narram a história nos tempos da monarquia em Israel. E, no texto que vamos estudar, veremos um profeta em conflito com o rei Acabe, por volta de 870 a.C.. Por conta desse conflito, Elias disse ao rei:

“Vive o Senhor Deus de Israel, perante cuja face estou, que nestes anos nem orvalho nem chuva haverá, senão segundo a minha palavra.” (1 Reis 17.1)

Essa profecia se cumpriu e a seca naquela região durou três anos. A fome afetou a todos, mas Deus providenciou socorro para algumas pessoas.  Vimos isso através do que aconteceu com Elias e com a viúva de Sarepta. Agora vamos analisar algumas questões.

Conflito entre o rei Acabe e o profeta Elias

O reinado de Acabe foi marcado por corrupção e apostasia. Veja o que diz a Palavra:

“E fez Acabe, filho de Onri, o que era mau aos olhos do Senhor, mais do que todos os que foram antes dele. E sucedeu que (como se fora pouco andar nos pecados de Jeroboão, filho de Nebate) ainda tomou por mulher a Jezabel, filha de Etbaal, rei dos sidônios; e foi e serviu a Baal, e o adorou. E levantou um altar a Baal, na casa de Baal que edificara em Samaria. Também Acabe fez um ídolo; de modo que Acabe fez muito mais para irritar ao Senhor Deus de Israel, do que todos os reis de Israel que foram antes dele.” (1 Reis 16.30-33)

Sendo assim, Deus enviou Elias para o povo de Israel que estava vivendo nesse tempo de apostasia, crise social e espiritual, confusão política e fome extrema. O profeta confrontou a idolatria do rei e foi chamado de “perturbador de Israel” por causa disso.

Por que a profecia da seca?

Porque Baal era considerado o “deus da fertilidade” e senhor das chuvas e tempestades. Com a seca, os profetas invocaram Baal gritando e se retalhando conforme o costume da época, mas nada aconteceu. E quando Elias clamou, Deus enviou fogo de forma milagrosa. Isso foi feito para que o povo pudesse diferenciar a verdadeira fé da idolatria.

Antes disso acontecer, Elias alertou o povo com as seguintes palavras: “Até quando coxeareis entre dois pensamentos? Se o Senhor é Deus, segui-o, e se Baal, segui-o.” (1 Reis 18.21)

A palavra “coxear” — que quer dizer mancar ou andar com dificuldade — indica que o povo estava vacilando. Uma hora firmava o passo no caminho de Deus, outra hora firmava o passo no caminho da idolatria.

 Estatueta original do deus Fenício Baal, datada de 800 anos a.C. (Foto: Acervo do Museu de Arqueologia Unasp/Rodrigo Silva)

Milagres

Antes de entrar no contexto do corvo, lembre-se que outros milagres aconteceram na ocasião, por intermédio de Elias. A multiplicação do azeite e da farinha da viúva, a ressurreição de seu filho, Deus enviou fogo sobre a lenha molhada e um anjo alimentou Elias. Pensando em tudo isso, não há dificuldade de entender que Deus deu ordens a uma ave para alimentá-lo.

Lembrando também que “milagre” significa “ato ou acontecimento fora do comum”, ou seja, é inexplicável pelas leis naturais. Algo que deixa de ser ordinário — dentro da ordem esperada — para ser extraordinário. Não há muitas explicações racionais para o mundo espiritual. Mas vamos analisar as que existem.

Os corvos realmente alimentaram Elias?

Dentro do que estamos analisando, a resposta é sim. Muitos teólogos sérios seguem essa linha de pensamento. Outros, porém, defendem que houve um erro de transliteração e tradução da Bíblia, do hebraico para o grego — Septuaginta. Tais teólogos defendem que a palavra correta não seria orevim (corvos) que alimentaram Elias e sim os aravim (árabes).

Esse suposto erro alimenta o argumento de quem não consegue acreditar que Deus fez algo extraordinário. O outro argumento é que Deus não enviaria uma “ave imunda” (Lv 11.13-15; Dt 14.14) para alimentar um judeu, conhecedor da Torah e suas leis.

A questão é...

Se considerarmos que houve mesmo esse erro e a palavra correta fosse traduzida por “árabes”, como ficaria então o texto de Gênesis?

“E aconteceu que ao cabo de quarenta dias, abriu Noé a janela da arca que tinha feito. E soltou um corvo, que saiu, indo e voltando, até que as águas se secaram de sobre a terra.” (Gênesis 8.6-7)

A palavra no hebraico é a mesma, então Noé teria soltado um árabe pela janela da arca? A única diferença na palavra, segundo o hebraísta Luiz Sayão, é que em Gênesis está escrito “corvo” (orev) no singular e no livro de 1 Reis “corvos” (orevim) no plural.

Simbologias relacionadas ao corvo

Antigamente, povos pagãos encaravam o corvo como uma espécie de ave de mau agouro e de presságio da morte, por causa do seu grasnido lamentoso. Já nos dias de hoje, as pessoas não gostam de imaginar um corvo levando alimento para um profeta de Deus, porque essa ave foi associada ao mundo das trevas.

O cinema se encarregou disso. Só para citar alguns exemplos — Harry Potter e também o filme “O Corvo”, sucesso de bilheteria em 1994, onde o ator Brandon Lee, com apenas 28 anos de idade, morreu na vida real durante as filmagens.

No enredo do filme, o personagem principal volta do mundo dos mortos e é guiado por um corvo para se vingar de seus assassinos. Mas isso é uma viagem cinematográfica, porque o corvo não é visto como uma “ave do mal” no contexto bíblico, nem na biologia.

No contexto bíblico

Como já vimos, o corvo é a primeira ave, especificamente citada na Bíblia, no livro de Gênesis. Note que o corvo era usado até na poesia hebraica: “Sua cabeça é ouro, o ouro mais puro; seus cabelos ondulam ao vento como ramos de palmeira; são negros como o corvo.” (Cânticos 5.11)

Biologia e Design Inteligente

Os corvos são conhecidos como animais dotados de inteligência para conseguirem alimento. Provavelmente, por esse motivo, Deus os escolheu para realizarem a difícil tarefa de encontrar comida em terra seca. Mas, devemos lembrar que, tanto humanos quanto aves, dependem de Deus para sobreviver.

“Considerai os corvos, que nem semeiam, nem segam, nem têm despensa nem celeiro, e Deus os alimenta; quanto mais valeis vós do que as aves?” (Lucas 12.24)

Você sabia que o corvo está entre os seis animais mais inteligentes do mundo?

Na lista estão os golfinhos, chimpanzés, elefantes, papagaios, cães e corvos. Os corvos chamam a atenção por conta da facilidade de imitar sons, usar ferramentas com grau de complexidade para facilitar na obtenção de alimento e ainda são capazes de forjar a própria morte para enganar outros corvos e predadores naturais.

Em países como Japão, França e Estados Unidos, estudos universitários apresentam muitas descobertas sobre os corvos. Seguem alguns exemplos:

Evolução tecnológica animal

O corvo da Nova Caledônia (Corvus moneduloides), uma espécie que só existe nesse território ultramarino francês, na Oceania, coleta espontaneamente material de plantas para criar seus próprios “ganchos”, que ele usa para capturar aranhas e insetos.

 Criação de gancho é a primeira evolução tecnológica testemunhada pelos cientistas no reino animal. (Foto: Pinterest)

Em 2015, uma menina americana de 8 anos, chamada Lisa, que costumava alimentar os corvos que visitavam o quintal de sua casa, teve uma experiência surpreendente.

Os corvos comiam e depois deixavam pequenos objetos de presente nas bandejas vazias: brincos, pedras polidas, parafusos e até clipes. Coisas brilhantes e pequenas que podem ser transportadas nos bicos.

Corvos trazem objetos pequenos, brilhantes e coloridos para menina. (Foto/Montagem: Reprodução Internet)

A mãe de Lisa começou a fotografar e registrar o comportamento das aves e percebeu a intencionalidade nas ações. Os corvos acompanhavam a menina no caminho da escola. Certo dia, ela perdeu a tampa da lente de sua câmera, e um dos corvos levou a tampa para sua casa, deixando-a no bebedouro. Essa amizade entre Lisa e os corvos virou notícia nos Estados Unidos.

No Japão, o corvo grande (corvus corax), é flagrado levando castanha no bico, pousando num fio de luz perto de um semáforo, acima de uma faixa de pedestres. Quando o trânsito está mais intenso, ele deixa cair a castanha na pista e os carros que passam acabam por quebrá-la.

O corvo usa a circulação automotiva como ferramenta. Ele espera pacientemente até acender a luz verde para pedestres e só então voa até a faixa para recolher a castanha já quebrada e pronta para ser consumida. Clique aqui para assistir o vídeo.

Mais sobre os corvos

A alimentação deles é extremamente variada, desde nozes, frutinhas e cereais, até roedores, répteis, peixes e filhotes de aves. Primariamente, os corvos são necrófagos, ou seja, se alimentam da carne de animais mortos.

É um poderoso voador, batendo forte e constantemente suas asas ou planando sem esforço em amplos círculos, enquanto busca alimento. Os naturalistas consideram o astucioso corvo como uma das aves mais adaptáveis e engenhosas.  Ele tem por hábito armazenar sobras de alimento em fendas de rochas e demonstram devoção considerável por suas famílias.

Em vista de tudo disso, bem como por sua força de voo e habilidade de sobreviver com uma ampla variedade de alimentos, inclusive carniça, o corvo foi o candidato adequado para ser a primeira criatura a ser enviada por Noé para fora da arca. E foi escolhido por Deus para alimentar Elias naquela situação de seca.

Aplicação desta Palavra

Nesse estudo, aprendemos como o corvo é inteligente e como é possível que uma simples ave cumpra uma missão dada pelo Criador. Também vimos que Deus tem poder para suprir todas as nossas necessidades e que isso pode acontecer de maneiras extraordinárias.

Abra a sua mente para isso. Qual é o seu deserto ou a seca da sua vida? Não se preocupe, enquanto a chuva não vem, Deus multiplica o azeite e a farinha, traz de volta a vida, faz a lenha queimar, envia anjos e, se preciso for, dá ordem aos corvos. Essa é uma lição bíblica que nos ensina a não questionar a forma como vem a provisão.

Então, faça como o profeta Elias, que mesmo diante da calamidade, obedeceu a Deus e permaneceu perto do riacho, onde havia água para matar a sede e o alimento que chegou de uma maneira improvável, sobrenatural e extraordinária. E quando a fonte secar e não tiver mais água, é porque a chuva já está chegando. Confie!

“Por isso vos digo: Não andeis cuidadosos quanto à vossa vida, pelo que haveis de comer ou pelo que haveis de beber; nem quanto ao vosso corpo, pelo que haveis de vestir. Não é a vida mais do que o mantimento, e o corpo mais do que o vestuário? Olhai para as aves do céu, que nem semeiam, nem segam, nem ajuntam em celeiros; e vosso Pai celestial as alimenta. Não tendes vós muito mais valor do que elas?” (Mateus 6.25-26)

Por Cris Beloni, jornalista cristã, pesquisadora e escritora. Lidera o Movimento Bíblia Investigada e ajuda as pessoas no entendimento bíblico para a ativação de seus dons. Trabalha com missões transculturais, Igreja Perseguida, teorias científicas, escatologia e análise de textos bíblicos.

* O conteúdo do texto acima é de total responsabilidade do autor e não reflete necessariamente a opinião do Portal Guiame.

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