Adriana Bernardo

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Adriana Bernardo (@adrianammbernardo) é jornalista, escritora e idealizadora do grupo feminino cristão “Amigas de Deus”. Professora de Teologia e Aconselhamento. Casada com Bene Bernardo, é mãe de Raphael, Aline e Guilherme, e avó de Raquel, Daniel e Júli

Trump cita “governo global” na ONU. Por que isso chamou minha atenção

Ao falar sobre “governo global” na ONU, Donald Trump levantou, mesmo em um contexto geopolítico, um tema que também aparece nas profecias bíblicas sobre o fim dos tempos.

Fonte: Guiame, Adriana BernardoAtualizado: quarta-feira, 23 de setembro de 2026 às 16:58
Donald Trump discursa na 81ª sessão da Assembleia Geral das Nações Unidas, em Nova York. (Foto: White House)
Donald Trump discursa na 81ª sessão da Assembleia Geral das Nações Unidas, em Nova York. (Foto: White House)

Quando o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, declarou que “não há um governo global” e que isso não acontecerá enquanto ele estiver na Presidência, sua afirmação poderia ser recebida simplesmente como mais um capítulo da disputa geopolítica em torno da soberania das nações.

A declaração foi feita durante seu discurso na 81ª Assembleia Geral das Nações Unidas, realizada na manhã desta terça-feira (22), em Nova York, diante de líderes de diversas partes do mundo.

O discurso está em sintonia com uma posição que Trump sustenta há anos. Em 2018, também na ONU, afirmou que os Estados Unidos escolheriam a “independência e cooperação” em lugar da “governança global, controle e dominação”. Naquele discurso, defendeu que nações soberanas e independentes deveriam continuar sendo a base da ordem internacional.

De fato, no sentido político e jurídico, não existe atualmente um governo mundial dotado de autoridade executiva, legislativa e militar sobre todos os países. A ONU reúne Estados soberanos e estabelece mecanismos de cooperação internacional, mas não funciona como um governo planetário capaz de substituir os governos nacionais.

Isso, porém, não significa que não exista uma disputa crescente sobre quem estabelece as regras do mundo.

As grandes potências competem por influência militar, econômica e tecnológica. Estados Unidos, China, Rússia e União Europeia disputam espaços estratégicos, enquanto organismos multilaterais procuram construir respostas comuns para problemas que ultrapassam fronteiras nacionais.

Temas em pauta nesta assembleia geral como inteligência artificial, comércio, conflitos armados, mudanças climáticas, segurança, migração e regulação tecnológica alimentam discussões sobre “governança global”.

Portanto, é preciso distinguir as coisas. Cooperação entre países não significa necessariamente a construção de um governo mundial. Da mesma forma, fóruns internacionais, tratados e instituições multilaterais não constituem, por si mesmos, evidência de um projeto secreto para controlar a humanidade.

Mas, para o cristão que lê a história também à luz das Escrituras, uma declaração sobre a impossibilidade de um governo global desperta outra reflexão. E isso me fez pensar nas Escrituras.

O que a Bíblia diz sobre um poder de alcance mundial?

A profecia bíblica apresenta um cenário futuro em que haverá uma extraordinária concentração de poder.

Em Daniel 7, o profeta contempla quatro grandes impérios e, no desenvolvimento da visão, surge um poder que exerce domínio e persegue os santos. Daniel 7:23 descreve um reino que “devorará toda a terra”.

No Novo Testamento, a linguagem se torna ainda mais explícita. Apocalipse 13 descreve uma autoridade que recebe poder sobre “toda tribo, povo, língua e nação” (Apocalipse 13:7).

O mesmo capítulo apresenta também mecanismos econômicos associados a esse sistema, afirmando que chegará um momento em que ninguém poderá “comprar ou vender” sem determinada identificação vinculada à besta (Apocalipse 13:16-17).

Apocalipse 17 acrescenta outro elemento impressionante. O texto fala de reis que entregarão “o poder e a autoridade que possuem à besta” (Apocalipse 17:13).

Independentemente das diferentes interpretações escatológicas sobre detalhes, cronologia e símbolos dessas passagens, existe nelas uma imagem inequívoca de concentração de autoridade política e econômica em escala extraordinariamente ampla.

Assim sendo, a frase pronunciada por Trump diante das Nações Unidas ganha, para o cristão, uma dimensão diferente.

O presidente americano está falando de geopolítica. A Bíblia está falando de profecia. Não devemos confundir as duas coisas, mas também não precisamos ignorar as perguntas que surgem quando ambas parecem tocar em temas semelhantes.

Nesse sentido, quando um dos líderes políticos mais influentes do planeta sobe à tribuna da ONU e trata publicamente de governo global, soberania e concentração internacional de poder, o cristão não precisa transformar imediatamente essas palavras em cumprimento profético.

Mas também não precisa tratá-las como irrelevantes.

Presidentes passam. Impérios passam. Sistemas políticos mudam. Alianças que hoje parecem impossíveis podem existir amanhã, assim como estruturas consideradas permanentes podem desaparecer rapidamente.

A própria história ensina isso.

A profecia bíblica, por sua vez, não foi dada para alimentar curiosidade sensacionalista, mas para produzir perseverança, santidade, discernimento e esperança.

Por isso, nossa posição deve permanecer entre dois extremos: nem fanatismo escatológico, nem indiferença espiritual.

Precisamos acompanhar os acontecimentos do nosso tempo sem transformar cada notícia em profecia, mas também sem viver como se as advertências de Jesus fossem apenas registros de um passado distante.

 

Adriana Bernardo (@adrianammbernardo) é jornalista, escritora e idealizadora do grupo feminino cristão “Amigas de Deus”. Professora de Teologia e Aconselhamento, é pós‑graduanda em Neurociências e Comportamento e cursa MBA em Inteligência Artificial. Casada com Bene Bernardo, é mãe de Raphael, Aline e Guilherme, e avó de Raquel, Daniel e Júlia.

* O conteúdo do texto acima é de total responsabilidade do autor e não reflete necessariamente a opinião do Portal Guiame.

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