A perigosa "doença do gato" na gravidez

A perigosa "doença do gato" na gravidez

Atualizado: Segunda-feira, 21 Novembro de 2011 as 9:54

Seu gatinho de estimação não precisa ser colocado para fora de casa, mas ao confirmar sua gravidez você deve redobrar os cuidados em relação ao contato com o animal. Isso porque as fezes do bicho, contaminadas pelo parasita toxoplasma, são as principais causadoras da toxoplasmose – daí a razão de também ser conhecida como “doença do gato” -, colocando em risco a saúde do feto.

Outras formas de transmissão da doença são a ingestão do microorganismo por meio da carne crua ou mal cozida, verduras cruas e frutas e verduras mal lavadas.

Se não diagnosticada a tempo na gestação, ela pode acarretar sérios danos ao bebê. Os problemas vão desde má formação fetal, a problemas oculares, auditivos e, em casos mais extremos, à morte.

A toxoplasmose pode ser contraída a qualquer momento da vida de qualquer pessoa e geralmente passa despercebida, porque é assintomática. Uma vez que teve a doença, a mulher fica livre de maiores riscos neste período.

“Há 25 anos, durante o pré-natal, detectávamos o contato com a toxoplasmose em 50% das mulheres. Atualmente só 20% têm evidências dessa infecção no passado. Ou seja, 80% das grávidas são candidatas a ter a doença”, alerta o infectologista Celso Granato, assessor Médico do Fleury Medicina e Saúde.

A mulher só descobre que já teve ou não contato com a toxoplasmose por meio de exames de sangue (IgM e IgG), solicitados assim que se confirma a gestação e geralmente repetidos na 28ª semana. “A doença pode ser contraída a qualquer tempo na gravidez, mas no primeiro trimestre sua manifestação é mais grave, pelo fato dos órgãos da criança ainda estarem em formação”, diz Mario Henrique Burlacchini, especialista em medicina fetal e professor doutor do Departamento de Obstetrícia e Ginecologia da Faculdade de Medicina da USP.

Quando a toxoplasmose é diagnosticada, o tratamento visa um bloqueio placentário, por meio de antibióticos, para evitar que o parasita ultrapasse a placenta e contamine o bebê.

Se em outro exame for constatada a presença do toxoplasma no líquido amniótico, a criança também foi afetada e requer tratamento medicamentoso.

“Apesar de parecerem normais após o nascimento, algumas crianças podem apresentar lesões oculares até os 10 ou 15 anos de vida. Por isso é importante um acompanhamento oftalmológico e a realização anual do exame de fundo de olho, para se intervir precocemente e salvar a visão da criança”, diz Granato.

Alguns cuidados são imprescindíveis para evitar a toxoplasmose e seus desdobramentos. Os especialistas recomendam:

- Evite carnes cruas e mal passadas, como carpaccio e quibe cru. A mesma recomendação vale para os ovos – consuma-os sempre bem cozidos. Leia também: Alimentos, os top 5 da contaminação

- Ao manusear carnes cruas, não encoste a mão nos olhos ou na boca antes de lavar bem com água e sabão

- Lave muito bem as frutas, verduras e legumes antes de ingeri-los

- Evite contato com gatos e tudo o que possa estar contaminado com as fezes do animal. Se você tiver um gato de estimação, não precisa abandoná-lo, basta ter alguns cuidados especiais

- Alimente seu gato com carne bem cozida

- Evite contato com o recipiente onde o animal deixa suas fezes. Peça ajuda na hora da limpeza ou use luvas de borracha

- Use luvas de borracha também ao mexer na terra, ao fazer jardinagem

- Restrinja o acesso de seu animal à rua, para evitar que ele se contamine e traga o parasita para sua casa

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