A diferença entre infecção intestinal e intoxicação alimentar

A diferença entre infecção intestinal e intoxicação alimentar

"As manifestações clínicas de intoxicação alimentar e infecção intestinal são as mesmas, mas as causas diferem e o tempo de instalação das condições também. No primeiro caso – a intoxicação – o que ocorre é uma doença causada por toxinas produzidas por determinadas bactérias contidas em alimentos contaminados" explica Márcia Kodaira, coordenadora das Unidades Pediátricas do Hospital Santa Catarina (HSC), em São Paulo.

"Enquanto o organismo não expelir essas toxinas, o indivíduo pode apresentar quadro clínico composto por diarreia, vômito, cólica, febre e mal-estar generalizado", completa a especialista. Além dos micro-organismos, o excesso de agrotóxicos em alimentos que não foram lavados adequadamente também pode causar distúrbios digestivos.

A média para que a intoxicação seja controlada, normalmente, gira em torno de 24 a 48 horas. Mas isso depende de diversos fatores. "O tempo de retorno à normalidade do organismo vai depender da quantidade ingerida, se a pessoa estava com a imunidade abalada antes da intoxicação ocorrer, idade – crianças e idosos são mais sensíveis – e outros fatores", completa Marcos Antônio Cyrillo, infectologista do HSC.

Já a infecção é causada pelos micro-organismos – bactérias ou vírus – e pelas toxinas produzidas por esses seres microscópicos dentro do organismo da pessoa. Nesse caso, o quadro pode levar alguns dias para se estabilizar.

Ambos os quadros, entretanto, têm a mesma causa: alimentos preparados de forma inadequada – pouca higiene da pessoa que prepara, dos utensílios usados ou da qualidade do alimento preparado – e que levam ao contágio. Alguns casos de infecção, entretanto, podem ser causados por vírus que não necessariamente estão nos alimentos. "Algumas viroses podem ter vindo de contaminação aérea ou oral/fecal, o que é comum em crianças", explica Márcia.

Controle da condição

Em ambos os casos não há tratamentos medicamentosos específicos, mas controle da condição. A hidratação contínua – para repor o que se perde com os vômitos e diarreias – e uma readequação alimentar (com menos gorduras, açúcar e alimentos fermentativos) é o mais recomendado.

"A água de coco é o melhor aliado nessa hora. É um alimento que repõe água e os eletrólitos que o organismo vai perdendo. Mas é importante ressaltar: no caso de lactantes (até 2 anos de idade), não se deve interromper o leite da alimentação, mesmo que isso se classifique como alimento fermentativo, porque ele é a base da dieta nessa faixa etária", lembra Márcia.

Os profissionais lembram ainda que não existe "doença de verão", então, tanto a intoxicação alimentar quanto a infecção intestinal podem ocorrer em qualquer época do ano. O calor, que pode comprometer mais rapidamente a qualidade dos alimentos, e as mudanças ambientais – como viagens, comer em restaurantes desconhecidos ou consumir alimentos de ambulantes na praia – aumentam a incidência dessas condições. No caso das crianças, que são mais sensíveis a todas essas mudanças, é importante atenção redobrada e acompanhamento do médico da família.

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