"Homem, os teus pecados te são perdoados"

"Homem, os teus pecados te são perdoados"

Devido ao grande volume de testemunhos semelhantes que ouvimos no dia a dia das igrejas, aqueles que narram uma tragédia transformada em bênção, acabamos por padronizar os milagres, onde primeiro tudo precisa estar "errado" para só então surgir o "certo", tudo precisa ter jeito de "impossível" para só então tornar-se "possível".

O evangelho de Lucas, no capítulo 5, apresenta uma narrativa milagrosa entre os versículos 17 a 26, onde um paralítico é maravilhosamente curado por Jesus, pois, como informa o verso 17, "a virtude do Senhor estava com ele para curar".

É uma história famosa. Jesus estava ensinando numa casa lotada, havia fariseus, doutores da lei e uma multidão. Um paralítico estava fora da casa, em sua maca, e queria chegar na presença de Jesus. Como não era possível entrar, pois a multidão ali aglomerada impossibilitava a entrada, seus amigos subiram com ele no telhado, abriram uma passagem, sustentaram a maca por cordas e foram baixando a mesma até a presença de Jesus.

Vendo a fé demonstrada por todo aquele esforço, Jesus disse: "Homem, os teus pecados te são perdoados". v.20. Imediatamente fariseus e doutores da lei começaram a protestar, afinal, no entender deles, somente Deus poderia perdoar pecados. Jesus, conhecendo a maldade do questionamento, prontamente interferiu: "Qual é mais fácil? dizer: os teus pecados te são perdoados; ou dizer: levanta-te e anda? Ora, para que saibais que o Filho do homem tem sobre a terra poder de perdoar pecados (disse ao paralítico), a ti te digo: levanta-te, toma a tua cama, e vai para tua casa". vs. 23 e 24.

O final já sabemos, o paralítico imediatamente andou, pegou sua cama e foi embora glorificando a Deus, assim como toda multidão, que maravilhada glorificava a Deus e com temor dizia: "Hoje vimos prodígios". v.26.

Infelizmente, aquela platéia só conseguiu ver o milagre óbvio, o paralítico andar. Naquele dia, todos falharam. Gostamos de criticar fariseus e doutores da lei, enquanto normalmente poupamos os demais. Mas, lamentavelmente, todos falharam. Após Jesus declarar ao paralítico que os pecados dele estavam perdoados, fariseus e doutores da lei censuraram, enquanto o paralítico, os amigos do telhado e a multidão ficaram no mais absoluto silêncio. Naquele momento não se ouviu nenhum "glória", apenas silêncio e apreensão. Por que o milagre de fazer um paralítico andar merece glorificações, e o milagre de um pecador receber o perdão dos seus pecados não merece? A resposta é simples, a grande maioria dos seguidores de Jesus só enxerga os milagres óbvios. Como diz o final da narrativa, para haver glorificações, a platéia quer ver prodígios.

É óbvio que eu também vibro e glorifico a Deus cada vez que testemunho prodígios, e olha que não são poucos! Mas peço a Deus que mantenha calibrada a minha sensibilidade para enxergar os milagres diários que Ele realiza na minha vida. Não quero jamais esquecer o milagre que foi Ele me perdoar! Para fazê-lo, foi necessário doação e entrega numa cruz, um gesto que muitos desprezam e não valorizam. Mas foi ali, naquela cruz, que Ele realizou o grande milagre para usufruto do mundo inteiro, por isso Ele disse com autoridade: "O Filho do homem tem sobre a terra poder de perdoar pecados". Ou seja, não apenas os pecados do paralítico, mas de toda a terra!

A essência do que Lucas está dizendo é, somos todos paralíticos! Temos as mais diferentes deficiências, mas sem o milagre do perdão, os demais milagres não passarão de fortes emoções. Jesus quer ver o meu interior sendo milagrosamente transformado por profundos e significativos milagres que poucos vêem e valorizam. E que mesmo não sendo óbvios, deveriam ser motivo da nossa sincera e constante glorificação.

Por: Edmilson Ferreira Mendes

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