A ‘educação positiva’ é bíblica? Especialistas cristãos opinam

Com o tema ganhando espaço nas redes sociais, líderes cristãos falaram sobre suas visões contra ou a favor da “paternidade respeitosa”.

Fonte: Guiame, com informações de The Gospel Coalition e The Christian PostAtualizado: segunda-feira, 5 de fevereiro de 2024 às 18:02
Imagem ilustrativa. (Foto: Unsplash/Jessica Rockowitz).
Imagem ilustrativa. (Foto: Unsplash/Jessica Rockowitz).

A educação positiva, também chamada de “paternidade gentil” e “paternidade respeitosa", ganhou espaço, com muitos pais influenciadores falando sobre o tema no Instagram.

Segundo esse método de educação, a paternidade gentil tem o propósito de “criar crianças confiantes, independentes e felizes através da empatia, do respeito e da compreensão, e estabelecendo limites saudáveis”.

Com a prática sendo muito discutida hoje, líderes e pais cristãos estão questionando se a educação positiva é bíblica e pode ser usada para educar seus filhos.

Contra a paternidade gentil

Em artigo para o The Gospel Coalition, Bernard M. Howard, pastor da Grace Church nos Estados Unidos, manifestou hesitação em relação a certos aspectos apresentados pelos defensores da educação positiva.

“Se a educação gentil fosse apenas um quadro de humor para resolver as dificuldades parentais de maneira não conflituosa, eu não teria nada a dizer contra isso. Mas quando você se aprofunda nos conceitos subjacentes da paternidade gentil, você encontra pelo menos dois que se opõem ao ensino da Bíblia sobre a paternidade”, escreveu.

Segundo Bernard, a prática se opõe aos seguintes ensinamentos bíblicos sobre a criação de filhos: a crença de que o mau comportamento das crianças é causado por fatores externos e pode ser controlado através da validação emocional; e o pensamento de que punição e recompensa são ineficazes para corrigir comportamentos errados. 

“O problema com essa abordagem é que ela não compreende a pecaminosidade do pecado. O otimismo dos pais gentis em relação aos seres humanos é incompatível com o realismo das Escrituras”, criticou o pastor.

A disciplina bíblica inclui punição

Ele afirmou que a disciplina bíblica inclui a punição dolorosa. E quando administrada em amor, é essencial para guiar as crianças no caminho correto e mostrar a seriedade do pecado.

“Do ponto de vista da Bíblia, é impossível moldar o caráter de uma criança sem demonstrar a gravidade do delito através da punição retributiva. Palavras não são suficientes porque são facilmente ignoradas (veja Pv 29.19). A punição dolorosa, administrada por pais amorosos, transmite a mensagem”, defendeu Bernard.

E concluiu: “Se a loucura de uma criança persistir, ela produzirá resultados prejudiciais, e a Bíblia presume que a loucura  permanecerá sem a vara da disciplina. Se quisermos produzir filhos gentis, precisaremos de mais do que métodos gentis — precisaremos de métodos bíblicos”.

A favor da educação positiva

Já para o teólogo David Erickson, a educação positiva não é antibíblica, porque reflete o caráter de Cristo e seus ensinamentos sobre amor, perdão e redenção.

Junto com sua esposa Amanda, o especialista em paternidade fundou o ministério Flourishing Homes & Families (“Lares & Famílias Prosperando”), com o objetivo de capacitar os pais cristãos para liderarem suas famílias com graça e gentileza por meio de princípios parentais que estão enraizados no ensino de Jesus e apoiado pela neurociência moderna.

Orientação com empatia

Em resposta à crítica de Bernard Howard no artigo do The Gospel Coalition, David explicou que a paternidade gentil não é permissiva, mas equilibra orientação com empatia.

“A tese central do seu artigo é que as crianças devem ser punidas, mas o autor reconhece que há um problema teológico com essa posição porque a Bíblia é muito clara ao dizer que Jesus sofreu todo o nosso castigo”, declarou ele, em publicação no Instagram.

“Ele apenas argumenta que o mundo simplesmente não funciona dessa maneira. O mundo pune, portanto, os pais cristãos precisam punir. Se acreditamos que vivemos num mundo encharcado e infectado pelo pecado, por que estamos seguindo as dicas do mundo ao nosso redor sobre como tratar nossos filhos em vez de olhar para Deus? E seu desejo sobre como os seus seguidores deveriam tratar seus filhos?”, questionou.

De acordo com David, a criação dos filhos centradas em Cristo é compatível com a educação positiva, que busca formar e orientar as crianças de uma maneira que reflita o amor e a graça de Deus.

“[O artigo do TGC] corajosamente apresenta Pilatos como um exemplo positivo para os pais: Pilatos batendo em Jesus. Quando os vilões são o seu modelo, e não o Salvador do mundo, algo está profundamente errado. E você perdeu o rumo na tentativa de ser bíblico. Você deixa de ser semelhante a Cristo”, criticou o teólogo.

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