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Medo da verdade

Medo da verdade

Atualizado: Segunda-feira, 3 Fevereiro de 2014 as 1:50

medo da verdadeÉ o tipo da coisa que a gente não pensa que tem, e nem conversa com as pessoas a respeito. Você raramente se pega pensando nisso de forma lúcida, como faz quando deduz que precisa acordar mais cedo ou comprar sapatos novos. A gente não para uma vez por semana e reflete, “nossa, olha que doido, eu tenho medo de encarar a verdade...”. Não, a gente simplesmente tem e reage a isso de forma inconsciente. 
 
Quem nunca evitou se olhar no espelho depois de ter ganhado alguns (muitos) quilinhos? Conheço gente que não gosta de tirar fotos, pra não ter que ver o “estrago”. Também tem quem tenha medo de mexer no celular do cônjuge, com receio do que possa encontrar lá; que não faz perguntas porque suspeita das respostas; que não faz consultoria empresarial, pra não ter que admitir a falência; que evita tirar extrato, pra não ver a conta no cheque especial; que não vai ao médico e evita fazer exames... E por aí vai.
 
Toda vez que você se omite diante de algo que revelaria a verdadeira face de uma determinada situação, você está tendo medo da verdade, e é fato que isso pode te fazer “feliz” ou te dar relativa paz por um tempo, mas a verdade é como a velhice, você pode ignorá-la o quanto quiser, um dia ela irá se apresentar e você terá que lidar com ela (no caso da primeira, nem sempre de forma gradativa).
 
Ter medo da verdade é sabotar a si mesmo, porque não importa o quanto você finja não vê-la, ela está lá e vai afetar a sua vida de algum modo, a despeito de quanto tempo leve para acontecer.  
 
Ao contrário do que o pensamento progressista vem pregando, ela não é, de nenhum modo, relativa. De maneira prática, isso equivale dizer que não existe essa tolice de “o que é verdade pra mim, pode não ser pra você”, pois não importa se eu acredito na força gravitacional e você não, ao pularmos do topo de um edifício, ambos ficaremos estatelados no chão como ovos fritos! A verdade, portanto, é fato irrefutável que independe da nossa vontade e opinião.
 
A questão é que enquanto ignoramos a verdade, estamos evitando lidar com os problemas que ela revela, e isso é de certo modo confortável para a alma. Mas para onde vamos nós, no estado lastimável de cegos que não querem enxergar? Certamente seremos encontrados na vala mais próxima – da depressão, da solidão, da falência, do engano, da apostasia, da incredulidade...
 
Porque você sabe, esse é um comportamento natural que revela uma atitude espiritual, e é por esse motivo que existe esse sofisma de que “religião não se discute”. Ledo engano. 
 
Religião não somente se discute, como se investiga. Afinal, se Deus existe (e ele o faz maravilhosamente), certamente não é uma fraude que teme ser desmascarada a qualquer momento, mas um criador sábio que deixou vestígios e marcas que apontam para si mesmo em tudo que fez, desde que haja neutralidade e desejo sincero pelo que é verdadeiro. 
 
Mas esse medo existe dentro da Igreja também. Tem muita gente que não quer enxergar a verdade da Palavra, por exemplo, e faz com Deus exatamente o mesmo que faz com a conta bancária: faz de conta que eu tenho crédito e o cheque vai compensar. (Mas não compensa, infelizmente.)
 
É por isso que muita gente morre de medo de orar, de pedir direções, de encará-lo. Que evita ir a cultos e ler a Palavra. Se “a quem muito é dado, muito é cobrado”, eu não tendo nada, ninguém me cobra coisa nenhuma.
 
É por isso também que tem tantos crentes sofrendo “pela fé”. Eles estão fingindo e declarando que a montanha não existe, quando o que Jesus ensinou foi encará-la e ordenar que se retire. É mais fácil “se fazer de doido” do que lidar com a questão.
 
É por essa razão que tanta gente tem receio de estudar as Escrituras e encontrar o Cristo agindo de um jeito diferente do que se costuma ouvir falar, estimulando-lhe a ser um crente diferente do que se tem pregado. Afinal, quando Jesus é o protagonista de todas as histórias, acomodo-me no meu papel de simples espectador, e posso vê-lo acalmar mares, andar sobre águas, multiplicar pães e ressuscitar mortos, sentada na confortável (e medíocre) poltrona da covardia.
 
Ter medo da verdade é, predominantemente, ter medo de MUDAR. De sair da zona de conforto, de tomar atitudes inéditas e ousadas, de se ver “nu e cru”, sem máscaras, de reinventar a si mesmo, de sofrer abstinências, de fazer esforço para adquirir o conhecimento necessário para se adaptar à realidade oculta sob o tapete da ilusão (ou da ignorância). 
 
Quem tem medo da verdade teme deixar tradições vazias que não acrescentam nada a não ser adereços sociais. Tem medo de deixar tradições pessoais também, costumes arraigados e vidas sem graça, sem cor, sem plenitude. Essas pessoas estão vivendo dentro de castelos de areia que podem ruir a qualquer momento. 
 
A verdade é a maior bênção que Deus nos deu, e só ela LIBERTA! 
 
A verdade te dá a mão. Ela mostra o real panorama, ela te dá a base sobre a qual você pode fundamentar uma edificação segura. Ela aponta o caminho e o ilumina. 
 
É olhando para o que é verdadeiro que dispensamos o que é falso, endireitamos a nossa vida, nossos valores e pensamentos, e podemos viver a totalidade do que é são, divino e perfeito.
 
Eu já vivi atemorizada, fingindo não ver, com medo de enxergar, cheia de ilusões e enganos. Hoje eu sei que a verdade é para os fortes. Aos fracos, restam as mentiras e as ilusões, seus castelos e suas ruínas. 
 
 
- Luciana Honorata

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